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	<title>Nelore IRCA - Trazendo o futuro para o presente</title>
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	<description>Trazendo o futuro para o presente</description>
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		<title>Conheça mais sobre a seleção IRCA – O Nelore Carne.</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 23:55:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A seleção IRCA tem uma tradição de 94 anos (desde 1916). Nosso principal objetivo é a Eficiência na Produção de Carne a Pasto (EPCP), logo consideramos de grande importância as características funcionais. Avaliamos e selecionamos - A fertilidade de nossas matrizes: para obter mais bezerros nascidos com o mesmo número de vacas do plantel, A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A seleção IRCA tem uma tradição de 94 anos (desde 1916).</p>
<p>Nosso principal objetivo é a Eficiência na Produção de Carne a Pasto (EPCP), logo consideramos de grande importância as características funcionais.</p>
<div id="attachment_520" class="wp-caption aligncenter" style="width: 512px"><img class="size-medium wp-image-520" title="Novilhas IRCA - o Nelore Carne." src="http://www.neloreirca.com/wp-content/uploads/2010/02/Novilhas-IRCA-o-Nelore-Carne.2-502x376.jpg" alt="Novilhas prenhes, que serão avaliadas quanto à habilidade maternal para serem credenciadas a fazer parte do plantel na reposição das matrizes anualmente descartadas." width="502" height="376" /><p class="wp-caption-text">Novilhas prenhes, que serão avaliadas quanto à habilidade maternal para serem credenciadas a fazerem parte do plantel na reposição das matrizes anualmente descartadas.</p></div>
<p>Avaliamos e selecionamos -</p>
<ul>
<li>A fertilidade de nossas matrizes: para obter <strong>mais bezerros nascidos com o mesmo número de vacas do plantel</strong>,</li>
<li>A habilidade maternal: para colher<strong> mais quilos de bezerro desmamados em cada safra anual.</strong></li>
<li>A Precocidade Sexual de nossos reprodutores, com o objetivo:
<ul>
<li><strong>aumentar o desfrute</strong> e</li>
<li><strong>encurtar os intervalos entre as gerações</strong> selecionadas.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p>Em 2004, introduzimos pioneiramente na avaliação genética a <strong>ultra-sonografia</strong> na captação das imagens:</p>
<ul>
<li>Área de olho de lombo (AOL),</li>
<li>Espessura de gordura subcutânea (EGS) e</li>
<li>Espessura de gordura na ponta da picanha (EGP8).</li>
</ul>
<p>Este procedimento possibilita uma melhor precisão:</p>
<ul>
<li>Na avaliação do rendimento de carcaça quente e de desossa.</li>
<li>Na identificação dos animais com precocidade para acumular 3-6 mm de acabamento a pasto, possibilitando seu abate com menos tempo de engorda.</li>
</ul>
<div id="attachment_521" class="wp-caption aligncenter" style="width: 512px"><img class="size-medium wp-image-521" title="Garrotes IRCA - o Nelore Carne." src="http://www.neloreirca.com/wp-content/uploads/2010/02/Garrotes-IRCA-o-Nelore-Carne.2-502x376.jpg" alt="Garrotes IRCA - sobreano, demonstrando acabamento precoce de suas carcaças." width="502" height="376" /><p class="wp-caption-text">Garrotes IRCA - sobreano, demonstrando acabamento precoce de suas carcaças.</p></div>
<p>A seleção IRCA, considera dois pontos muito importantes:</p>
<ul>
<li>Agregar valor ao bezerro no momento da desmama. Um bezerro saudável e pesado ao desmame é o primeiro passo para o abate de um animal jovem.</li>
<li> Proporcionar o abate dos animais aos 24-27 meses num sistema de produção totalmente a pasto:
<ul>
<li>Com alta qualidade de carne e bom peso,</li>
<li>Com excelente conformação (carcaças convexas) e</li>
<li>Cobertura de gordura adequada para proteção da carcaça no resfriamento,</li>
<li>Satisfazendo aos mais exigentes mercados atendidos pelo Brasil atualmente.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p>Nossa seleção tem como base à produção de uma genética que supere a expectativa das fazendas que produz seus animais, quase que exclusivamente a pasto.</p>
<p>Acreditamos que nenhum outro sistema de produção é mais adequado para o Brasil hoje, permitindo a produção de carne segura, saudável, com respeito ao meio ambiente e elevadíssima eficiência econômica.</p>
<p align="right">
<p><strong>Avaliações Visuais</strong> &#8211; através de notas, descreve-se o animal em relação ao TIPO ideal para produção de carne.</p>
<p>Quatro características são avaliadas num sistema de cinco pontos:</p>
<ul>
<li>Três dessas características, as notas refletem o grau de aproximação, ao seu ideal numa ordem crescente de 1 a 5, são elas,
<ul>
<li>(C)-Conformação Frigorífica,</li>
<li>(P)-Precocidade e</li>
<li>(M)-Musculosidade.</li>
</ul>
</li>
<li>A quarta característica (U)-Umbigo as notas refletem o tamanho deste, isto é, a nota 5 reflete o animal com o umbigo excessivamente penduloso, e a nota 1 excessivamente curto, as notas intermediárias refletem a variação de um extremo a outro.</li>
</ul>
<p>Mais três características, atendendo ao padrão da ABCZ, são avaliadas num sistema de quatro pontos (1 a 4), refletindo cada ponto 25% do ideal, são elas:</p>
<ul>
<li>(R)-Racial,</li>
<li>(A)-Aprumos e</li>
<li>(S)-Características Sexuais.</li>
</ul>
<p>Os reprodutores selecionados refletem todo rigor de uma avaliação cuidadosa, num grupo de aproximadamente 400 animais contemporâneos de idade semelhantes, machos e fêmeas, onde por vários filtros seletivos procuramos agregar a melhor genética disponível de todo nosso plantel.</p>
<p>Além do uso de touros provados IRCA, uma proporção significativa das fêmeas em reprodução é acasalada:</p>
<ul>
<li>Com touros jovens IRCA (que consideramos o futuro do nosso rebanho) e</li>
<li>Com touros de outras linhagens desde que os mesmos sejam comprovadamente superiores geneticamente para as características de interesse econômico do nosso programa.</li>
</ul>
<p>Com esta política do uso de reprodutores jovens temos conseguido:</p>
<ul>
<li>Reduzir o intervalo de gerações e, conseqüentemente,</li>
<li>Aumentar o progresso genético;</li>
<li>Destacar novos talentos que terão uma contribuição efetiva para o melhoramento da raça.</li>
</ul>
<p>IRCA &#8211; O Nelore Carne.</p>
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		<title>Comparativos entre sistemas de produção de carne.</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 17:59:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object style="margin: 0px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayer2.swf?doc=apresentacaoircaslideshare-100104090019-phpapp02&amp;stripped_title=apresentacao-irca-lucratividade-2826908" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed style="margin: 0px;" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://static.slidesharecdn.com/swf/ssplayer2.swf?doc=apresentacaoircaslideshare-100104090019-phpapp02&amp;stripped_title=apresentacao-irca-lucratividade-2826908" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Jornalista sabe tudo?</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 17:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A pergunta tem cabimento. Li, indignado, a nota de Ancelmo Góis, em 2 de janeiro, em sua coluna em “O Globo”: “O Lobão francês – Não é só no Brasil que tem gente, como os ministros Edison Lobão e Reinhold Stephanes, que vive torpedeando as leis em defesa do meio ambiente. O Conselho Constitucional da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pergunta tem cabimento. Li, indignado, a nota de Ancelmo Góis, em 2 de janeiro, em sua coluna em “O Globo”:</p>
<p>“O Lobão francês – Não é só no Brasil que tem gente, como os ministros Edison Lobão e Reinhold Stephanes, que vive torpedeando as leis em defesa do meio ambiente. O Conselho Constitucional da França considerou ilegal a lei sobre imposto pela emissão de carbono de Sarkosy”.</p>
<p>Sem procuração do ministro Reinhold Stephanes, digo que nada é mais injusto que tal afirmação. Ouso mesmo afirmar que, nas últimas três ou quatro décadas, nunca tivemos um ministro da Agricultura com tanta capacidade para compreender as dificuldades e anseios dos agricultores e pecuaristas do País e enfrentar com decisão, serenidade, firmeza e autoridade os problemas de sua pasta. O ministro não é inimigo do meio ambiente só porque se dedica à defesa do homem do campo, que provê a mesa farta que os brasileiros têm a seu dispor, e a preços pouco encontrados no mundo.</p>
<p>Será que Ancelmo Góis tem conhecimento real de toda a problemática que envolve o binômio produção agropecuária/meio ambiente, aqui e no exterior – pois também investe no Conselho Constitucional da França –, para transformar afirmações feitas em sua coluna em dogmas irrefutáveis?</p>
<p>Perdoe-me o jornalista, mas, como eu não me atrevo, embora tentado, a apontar no seu texto deslizes em relação às qualidades da linguagem escrita, também ele deveria analisar com menos afoiteza e despreocupação temas que não são de sua área. Meio ambiente é coisa séria. Produção agropecuária também.</p>
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		<title>A carne com gosto e a carne de que gosto.</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 00:19:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 16/10/2009, o conhecido e respeitado site Beef Point trouxe um texto intitulado “Especialistas discutem alterações de sabor na carne”, que deve merecer a maior atenção de todos os pecuaristas de corte do País. O tema era a ocorrência de alterações no gosto da carne bovina, relatada por um leitor do jornal “O Estado de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 16/10/2009, o conhecido e respeitado <em>site</em> Beef Point trouxe um texto intitulado “Especialistas discutem alterações de sabor na carne”, que deve merecer a maior atenção de todos os pecuaristas de corte do País. O tema era a ocorrência de alterações no gosto da carne bovina, relatada por um leitor do jornal “O Estado de São Paulo.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-459" title="Foto Confinamento" src="http://www.neloreirca.com/wp-content/uploads/2009/12/Foto-Confinamento2-504x209.jpg" alt="Foto Confinamento" width="504" height="209" /></p>
<p>Disse ao jornal o prof. Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, mesmo sendo impossível dizer exatamente a qual sabor estranho o leitor se referia, que a literatura fazia referências “ao mais comum”, o chamado sabor de fígado (em inglês, <em>liverlike of</em> <em>flavor</em>), mais observado no gado confinado e atribuído ao uso de ração contendo óleos vegetais, comumente de caroço ou semente de algodão, fontes de baixo custo e ricas em lipídios e proteínas. Por isso, o professor alertava: o problema, com o tempo, pode prejudicar a venda de nossa carne bovina.</p>
<p>O jornal recebeu (e publicou) carta de outro especialista, o também professor Dante Pazzanesse Duarte Lanna, da USP e diretor técnico da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), para quem as causas também poderiam ser outras. Possibilidades por ele aventadas: em geral, as churrascarias se abastecem de carne antes da entressafra, em junho/julho, para se prevenir contra altas de preços; depois, essa carne vai ser servida “muitas vezes no limite do seu prazo de validade, causando problemas de sabor”, principalmente nos cortes maturados bem passados. Quanto ao caroço de algodão, garante o professor Lana, ele não altera o sabor da carne bovina, se utilizado nas dietas dentro do limite recomendado (fixado pelos nutricionistas em 17%). Também relatou vários experimentos feitos pela Assocon, indicando alteração de sabor, mas só esse limite foi superado em 100%.</p>
<p>Vários leitores se manifestaram no <em>site</em>, assim que o artigo foi publicado: médicos veterinários, produtores de gado, diretores e técnicos de frigoríficos, gente que sabe de carne e aprecia um bom churrasco. Para os que se manifestaram, quase com unanimidade: a carne bovina produzida no País está sob sério risco, principalmente porque há utilização indiscriminada de subprodutos da agricultura para sua alimentação, em especial nos confinamentos.</p>
<p>Estou trazendo o tema para o meu blog porque também me manifestei a respeito, em mensagem ao Beef Point, e porque considero o debate dessa questão da mais alta relevância. Sou produtor de carne, crio Nelore, e vejo com extrema preocupação não só o uso do caroço de algodão (impregnado de defensivos agrícolas), mas também de outros resíduos da agricultura, impregnados de agrotóxicos. Considero estar havendo uma despreocupada utilização de aditivos e tecnologias anunciadas como novidades e que parecem até querer transformar o bovino ruminante em um suíno monogástrico.</p>
<p>Para mim, é preocupante a facilidade com que se divulgam e promovem, nos mais diferentes meios – das universidades aos veículos de comunicação especializados -, tecnologias copiadas sem mais aquela dos sistemas americanos e canadenses de produção de carne VERMELHA.</p>
<p>Precisamos cada vez mais de pesquisa genuinamente brasileira para melhorar a eficiência de um sistema natural, a pasto, alicerçado no tripé “biotipo animal, manejo das pastagem e protocolos sustentáveis”, para a produção de um alimento nobre por transformar gramínea de baixa qualidade em carne SAUDÁVEL.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-460" title="Produção de carne a pasto" src="http://www.neloreirca.com/wp-content/uploads/2009/12/Produção-de-carne-a-pasto-502x377.jpg" alt="Produção de carne a pasto" width="502" height="377" /></p>
<p>Acredito firmemente que essa carne terá demanda assegurada no futuro para os mais exigentes mercados. Mais que isso, tenho a certeza de que sua produção sempre estará inserida entre os sistemas mais lucrativos para os pecuaristas.</p>
<p>Convido-o a ler com atenção o que foi divulgado pelo Beef Point. Para isso, acesse www.beefpoint.com.br   Essa é uma questão do seu mais alto interesse.</p>
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		<title>DEPs &#8211; de que lado você está?</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 18:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este artigo originalmente foi publicado no BeefPoint em 17/08/2009. DEPs – De que lado você está? José da Rocha Cavalcanti (*) Quando os programas de melhoramento genético de gado de corte começaram no Brasil, pesquisadores e associações de criadores organizaram simpósios e workshops para convencer os criadores a utilizar as Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo originalmente foi publicado no <a href="http://www.beefpoint.com.br" target="_blank">BeefPoint</a> em 17/08/2009.</p>
<p>DEPs – De que lado você está?</p>
<p align="right">José da Rocha Cavalcanti (*)</p>
<p>Quando os programas de melhoramento genético de gado de corte começaram no Brasil, pesquisadores e associações de criadores organizaram simpósios e workshops para convencer os criadores a utilizar as Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) durante o processo de escolha dos touros para os seus respectivos esquemas de acasalamento. Desde então, alguns reprodutores passaram a ser evidenciados em publicações e sumários por apresentar boas DEPs para desempenho em crescimento.</p>
<div id="attachment_510" class="wp-caption aligncenter" style="width: 512px"><img class="size-medium wp-image-510" title="Diamante_DSC02524" src="http://www.neloreirca.com/wp-content/uploads/2009/08/Diamante_DSC02524-502x377.jpg" alt="Diamante 2475 IRCA, em condições de criação 100% a pasto (sem suplementação) demonstrando sua capacidade de produzir carne de boa qualidade com dieta de capim e sal mineral." width="502" height="377" /><p class="wp-caption-text">Diamante 2475 IRCA, em condições de criação 100% a pasto (sem suplementação) demonstrando sua capacidade de produzir carne desossada com bom rendimento e de boa qualidade em dieta de capim e sal mineral.</p></div>
<p>Essa estratégia de comunicação foi eficaz e as DEPs se tornaram um instrumento decisório nos acasalamentos promovidos no Brasil. Fato este que se comprova ao olhar os anúncios e catálogos de leilões: as DEPs quase que obrigatoriamente estão ali expostas.</p>
<p>Agora, passado esse primeiro período de entusiasmo, receio que as DEPs tenham se transformado num mero instrumento de marketing. É como já tivesse se materializado o “monstro em potencial”, do qual falava já em 2002 Wayne Vanderwert no seu artigo “How much performance?”, publicado revista Beef Magazine. Sim, um monstro anda rondando, também sorrateiro, os atuais programas de melhoramento genético do gado de corte no Brasil</p>
<p>Parece-me conveniente expor aqui, desde logo, uma advertência que não é apenas minha, já que também partilhada por outros criadores (não muitos, é verdade), que expressa a seguinte idéia: a seleção por um única diferença, no caso concreto a seleção por DEPs, pode ser perigosa. O risco está na possibilidade de essa ferramenta forçar o estabelecimento de um mesmo e único tipo de competição entre criadores de gado, a competição por “quantidade de números”.</p>
<p>Buscar o melhor desempenho em gado de corte é bom, isso não se discute. Mas o resultado “extremo” em desempenho pode acabar sendo ruim e insatisfatório. E mais, como adverte Vanderwert, o risco de perdas é maior quando a teoria que origina receitas de lucratividade encontra-se baseada em conceitos que ainda estão no meio do caminho. Nada de precipitações, portanto, até porque as ciências, inclusive a que gera as DEPs, estão calcadas em hipóteses que podem, por definição, ser revistas e até refutadas posteriormente.</p>
<p>Quem é criador sabe que o melhoramento genético está cheio de antagonismos. Em termos de seleção do gado de corte, por exemplo, promover um grande desempenho em crescimento pode significar também produzir um animal com um tipo biológico muito distante daquele que se pretende alcançar como eficiente produtor de carne, inclusive porque o animal de estrutura maior tende a ter um padrão de composição de maturidade mais lento. Noutras palavras, quando postos na balança, animais mais pesados (maiores) não são tão “gordos” quanto parecem ser.</p>
<p>Na realidade, era justamente nesse tipo de animal, o de maior porte, que os frigoríficos apostaram, tendendo a rejeitar o tipo compacto e gorducho do passado. Os pesquisadores, por sua vez, postulavam que o crescimento muscular era mais eficiente do que o acabamento precoce de gordura subcutânea, uma vez que, em sua concepção, o animal de maior estrutura cresceria mais depressa, tendo ganhos de peso mais rápidos.</p>
<div id="attachment_398" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><img class="size-medium wp-image-398" title="Animal com biotipo tardio." src="http://neloreirca.kinghost.net/wp-content/uploads/2009/08/DSC02474red-400x300.jpg" alt="Biotipo de baixo rendimento de carne desossada." width="400" height="300" /><p class="wp-caption-text">Biotipo de baixo rendimento de carne desossada.</p></div>
<p>No entanto, à medida que no Brasil os criadores de nelore selecionavam animais para maior estrutura e mais quilogramas, começamos a ver, nas provas de ganho de peso em confinamento (dados referentes, portanto, a animais testados com alta ingestão de energia), médias de ganho diário acima de 1.100 gramas, mas em tipos que apresentavam média de apenas 2 mm de gordura subcutânea na sua carcaça.</p>
<p>Cuidado, pois. Aqui no Brasil, depois do advento das DEPs, já é possível também constatar algo muito próximo do que Vanderwert  relata em seu artigo:</p>
<p>1) o tamanho da vaca madura aumentou e, também, as exigências de manutenção;</p>
<p>2) as taxas de prenhez caíram (este recuo, aqui no Brasil, logo foi encoberto pelos protocolos para Inseminação Artificial em Tempo Fixo-IATF);</p>
<p>3) a circunferência escrotal passou a ser a base para se inculpar animal tardio em termos de reprodução; e</p>
<p>4) o livro de nutrição da recria a pasto teve de ser reescrito para que se pudesse conseguir o desenvolvimento da “precocidade sexual” das fêmeas em fase de reprodução.</p>
<p>Nos últimos tempos, como se não bastassem as DEPs já existentes, os programas de melhoramento iniciaram a publicação de uma série de novas categorias: DEPs para período de gestação, DEPs para prenhez da novilha, DEPs para permanência produtiva da vaca no rebanho&#8230; Tudo embalado como remédio para problemas que não tínhamos no passado. E, como as grandes e pesadas vacas sempre pareceram finas, acabaram desenvolvendo, também, uma pontuação para avaliar as condições de escore corporal desses animais. Daí pra frente, aumentamos cada vez mais os custos de produção de nossas matrizes.</p>
<p>Desde 1995, os pesos de carcaça têm subido firmemente. Precisamos, agora, tomar muito cuidado para não comprometer a qualidade da carcaça e, mais importante que tudo, para não pôr em risco a aceitação do nosso produto pelo consumidor. A falta de cuidado pode custar muito caro à cadeia da carne. Recentemente, em Goiânia, num restaurante especializado em carne, ouvi o maître dizer que ali só serviam picanha argentina porque, dessa forma, não recebiam reclamações dos clientes, já que, em relação aos cortes brasileiros (peças grandes), as queixas dos clientes eram freqüentes.</p>
<p>Vanderwert relata, em seu artigo, que alguns produtores de carne nos EUA, recuperando o bom senso, aumentaram o interesse por determinado tipo de cruzamento, mais particularmente pelo Angus. Isso também aconteceu no Brasil, onde presenciamos o incremento da venda de sêmen de Angus. E se também dermos uma olhada nos gráficos de tendências genéticas para o crescimento, verificaremos que os reprodutores da raça Angus têm alcançado as melhorias pretendidas, melhorias essas que apontam para o que é verdadeiramente necessário quando se deseja alcançar a liderança na aceitação de determinados cortes de carne pelos consumidores. Na realidade, esses criadores desistiram de investir no “tamanho dos touros” e partiram para melhorar a qualidade da carcaça. Vislumbraram um importante ponto de luz no mercado da carne: a aceitação do consumidor final.</p>
<p>Infelizmente, nós, criadores de nelore, estamos no meio da estrada. Ainda há quem insista em propalar os altos pesos. Mais e mais touros nelore se posicionam no topo da lista dos reprodutores que apresentam maiores índices, influenciados pelas altas DEPs para <em>medidas de crescimento</em>. E, cada vez mais, ganha reforço a tendência de uso de determinadas linhagens genéticas para maiores tamanhos em idade adulta. No entanto, se observarmos os fatores de ajustamento de DEPs em função da reprodução de gado de corte, perceberemos que, no tocante aos touros colocados entre os de maior crescimento, “a fertilidade não é o que costumava ser”. Talvez por isso, novas sugestões de dieta para semi-confinamento pós-desmama passaram a ser apontadas como solução de vanguarda no manejo das fêmeas “precoces”.</p>
<p>É isso. Uma nova ameaça está nos rondando, a dos números. Números grandes impressionam. Mas, em termos de produção de genética eficiente, <em>maior</em> não é necessariamente o melhor. Basta lembrar que, para efeito de resfriamento das carcaças em frigoríficos, por exemplo, só se requer uma cobertura de gordura que as proteja, algo entre 3-5 mm, nada mais do que isso, no caso de um novilho jovem engordado a pasto.</p>
<p>É inegável que as características de importância econômica devem alcançar o seu <em>ponto ótimo</em>. Acontece que, se ficarmos apenas procurando os animais com características com desempenho situados nos extremos direito das &#8220;curvas de Gauss&#8221; (ex, top 0,1%), perderemos em fertilidade e teremos problemas com a qualidade. Além disso, reconheço que a avaliação genética e a tecnologia de ultrassom podem exercer um grande impacto na cadeia da carne. Mas vale lembrar advertência de Vanderwert: “quantificar um animal apenas em suas diversas diferenças individuais não será o suficiente para nos manter no negócio”.</p>
<p>Diante dessa ameaça dos números, precisamos ser também seletivos. Todos nós, produtores de genética e produtores de gado comercial, devemos estar preparados para ter acesso e nos beneficiar das mais sofisticadas análises de dados e dos mais eficientes arquivos de informação, procurando conhecer qualquer novo instrumento que nos habilite a refinar a produção, sempre mantendo o equilíbrio entre biologia e economia na produção de carne. Agindo assim, creio que estaremos, como disse Vanderwert, “mais centrados nos alvos de mercados específicos para o produto final”, pois – conforme ele previa &#8211; “a crescente influência das redes e alianças nos imporá essa direção”.</p>
<p>Enfim, para sermos competitivos e eficientes nesse segmento em que atuamos, precisamos sempre rever nossos parâmetros e admitir os antagonismos. Sem isso, não haverá como nos mantermos num negócio extremamente competitivo. Pode-se ser um produtor de genética que só sabe “jogar com números”. Pode-se também ir além, focando-se não em publicações, mas em resultados, isto é, procurar fazer uma seleção de animais funcionais. De que lado você está?</p>
<p>(*) José da Rocha Cavalcanti é engenheiro agrônomo e selecionador do Nelore IRCA (Fazenda Providência do Vale Verde, São Miguel do Araguaia, GO).</p>
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		<title>O que está por trás da tipificação de carcaças?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 11:09:46 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Atualmente ouve-se muito sobre tipificação de carcaças para atender aos novos mercados para a carne brasileira. Há alguns pontos que precisam ser discutidos para que o procedimento possibilite rentabilidade ao produtor e segurança alimentar ao consumidor.</p>
<p>Em todos os países, o movimento pela classificação de carcaças não resistiu à tentação de subordinar as classes a uma hierarquia, ou seja, a tipificação pretende dizer ao mercado o que tem melhor e o que tem pior qualidade. E o faz sem a preocupação de provar tecnicamente o que está proclamando.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div id="attachment_353" class="wp-caption aligncenter" style="width: 425px"><img class="size-full wp-image-353" title="Abate novilhos jovens IRCA." src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/04/dsc01373b.jpg" alt="Carcaças de novilhos IRCA com 22 meses de idade." width="415" height="277" /><p class="wp-caption-text">Carcaças de novilhos IRCA com 22 meses de idade.</p></div>
</div>
<p>Para se falar de carcaça bovina, é bom lembrar, de início, que existem várias maneiras de se produzir carne. Diferentes e variados sistemas são adotados em diferentes países: Irlanda, Inglaterra, França, Austrália, Canadá, EUA, Uruguai, Argentina, Brasil.</p>
<p>É também importante dizer que esses sistemas se diferenciam entre eles quanto ao tempo que os animais permanecem nos pastos e em confinamentos, à variedade das dietas utilizadas, ao percentual de volumoso e concentrados, ao uso ou não de anabolizantes, aditivos etc. As raças que geram as carcaças também diferem quanto à qualidade de sua carne, no tocante a atributos intrínsecos, como maciez, sabor, quantidade e tipo de gordura (se entremeada ou não, escassa ou mais abundante).</p>
<p>A forma como cada sistema atua na produção dos bois tem conseqüências direta sobre esses atributos e sobre a lucratividade dos elos que compõem a cadeia: produtores, frigoríficos, distribuidores.</p>
<p>Na definição dos critérios para a tipificação, certamente os elos mais organizados tentarão, graças a seu maior poder, impor suas regras quanto ao que é melhor, com o objetivo de salvaguardar suas margens. E pretenderão determinar como ideais o alto peso das carcaças (para melhorar seus rendimentos industriais, pois se auto-intitulam uma indústria de desmontagem). Também afirmarão que as churrascarias querem peças maiores, o que pode até ser verdade quando esses estabelecimentos também estão preocupados exclusivamente com seus lucros e não com um bom serviço aos cliente. Churrascaria digna desse nome, com padrão de qualidade no atendimento, quer é cortes de animais jovens, padronizados, macios e suculentos.</p>
<p>Vez por outra se ouve dizer que a carne brasileira é considerada por alguns importadores como não merecedora da qualificação de boa qualidade. Mas ninguém define com clareza e precisão que qualidade está sendo procurada. O conceito de qualidade, por sinal, é muito questionável. Há palestrante conceituado que aponta o zebuíno como produtor de uma carne com pouca maciez e ausência de marmorização. No entanto, já se viu que o único corte de um bom Nelore que requer maior força de cisalhamento é o contrafilé. Nos demais, como a alcatra, o filé, a picanha, a maminha, a fraldinha, não há diferença estatística na diferenciação da força de cisalhamento, ou seja, a maciez desses cortes é semelhante à dos taurinos, com a vantagem de oferecer muito mais sabor.</p>
<div id="attachment_335" class="wp-caption aligncenter" style="width: 471px"><img class="size-full wp-image-335" title="Fêmea Nelore IRCA" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/04/dsc01858b.jpg" alt="Boa mãe com carcaça de bom rendimento de carne." width="461" height="346" /><p class="wp-caption-text">Boa mãe com carcaça de bom rendimento de carne.</p></div>
<p>Será que essa diferença no contra filé é suficiente para denegrir o padrão de qualidade da carne brasileira? Na França, pátria da culinária de alto padrão, um dos cortes de carne que agrega maior valor no Limousin é proveniente do abate de vacas com 4 a 5 anos de idade, portanto de menor maciez. Justificativa dos <em>gourmets</em>: abrem mão da maciez para ganhar em sabor.</p>
<p>Impor padrões estrangeiros à carne brasileira me parece pouco razoável. Primeiro porque sempre restará a dúvida: todos os importadores estão preocupados ou estão dispostos a pagar mais pela marmorização? E os criadores sabem que, para colocar <em>marbling</em>, ou gordura intramuscular na carcaça do zebu, terão de mudar a forma de produzir carne no Brasil. Mudando a forma de produzir, a carne do Brasil perderá o selo de natural, saudável e custará mais cara.</p>
<p>Não custa imaginar que isso pode ser altamente interessante para nossos concorrentes. Seremos menos competitivos e certamente perderemos mercado. E aí sim, estaremos dando munição aos detratores da carne vermelha. O próprio Departamento de Saúde Americano já pôs sob suspeição essa carne marmorizada. Critica a forma de obtê-la, em confinamentos que requerem dietas ricas em grãos, para oferecer animais cada vez mais pesados ao abate. Com certeza, dessa carne, o consumo deverá mesmo ser limitado a 500 gramas/adulto/semana.</p>
<div id="attachment_340" class="wp-caption aligncenter" style="width: 471px"><img class="size-full wp-image-340" title="Pastagens da Fazenda Providência do Vale Verde, São Miguel do Araguaia,GO." src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/04/dsc01876b.jpg" alt="Pastagem em harmonia com o cerrado." width="461" height="346" /><p class="wp-caption-text">Pastagem em harmonia com o cerrado.</p></div>
<p>Na avicultura já há sinais de que o mercado exigirá protocolos de produção mais saudáveis. O Mc Donalds e a Unilever (multinacional que utiliza 650 milhões de ovos/ano na Europa, que para ter atendida essa demanda, serão necessárias 2,5 milhões de galinhas), a partir de 2010, só irão comprar ovos de poedeiras criadas soltas (<em>free range</em>).</p>
<p>Por tudo isso, é bom analisar bem o que se quer em termos de carcaça bovina no Brasil. Existe um grande e inexplorado mercado para carne saudável, produzida exclusivamente a pasto, cuja produção o Brasil tem todas as condições de liderar no mundo, e sem competição.</p>
<p>É possível agregar valor a essa carne para mercados, onde os consumidores discordam filosoficamente do sistema de produção com longa duração em confinamentos e dietas recheadas de aditivos. Existem inúmeros mercados para carne de alto valor agregado para os quais, com nossos recursos genéticos e conhecimento de manejo, podemos produzir carne com adequado acabamento a pasto ou em confinamentos com 60-90 dias de duração.</p>
<p>Enfim, devemos ter em mente que há uma grande variabilidade nos mercados importadores, e o Brasil tem condições de ser seu supridor preferencial, com carne que apresente maior ou menor grau de acabamento, mas sempre produzida com certificação de boas práticas.</p>
<p>Por isso, o sistema de tipificação de carcaça a ser imposto no País precisa primar pela simplicidade de critérios utilizados. Seu objetivo deverá oferecer parâmetros que orientem a produção e comercialização da carne bovina, com respeito aos diferentes sistemas de produção e atributos, sem pretender determinar o que é de melhor qualidade, separando o que é diferente e agrupando o que é semelhante.</p>
<p>No caso específico da carne bovina, não se pode esquecer que a demanda acontece tanto pelos atributos intrínsecos de qualidade como, maciez, sabor e quantidade de gordura quanto pelas características de ordem ou natureza voltadas para as formas de produção, processamento (a velocidade de resfriamento influencia muito mais a maciez do que outros fatores inerentes à raça, idade, serem castrados ou não), comercialização (dimensionamentos das porções, pré-prontas) etc.</p>
<p>A meu ver, a tipificação deve classificar as carcaças das principais categorias, ordenando-as segundo outros indicadores tradicionalmente utilizados nas avaliações de gado de corte, como a conformação, musculosidade e precocidade no acabamento de gordura. Em tese, as melhores carcaças dariam carne de melhor qualidade, associada a maior rendimento de desossa, condição que favorece o abate de animais jovens com qualidade e a pasto.</p>
<p>O sucesso da carne brasileira depende de um excelente trabalho de marketing (diferentemente do que muitos pensam, não significa propaganda e sim mercadologia, estudo de mercado), desenvolvimento de novos sistemas de produção e de distribuição, com atenção total às exigências de um mercado atento às práticas sustentáveis não só do ponto de vista econômico, mas também social e ambiental.</p>
<div id="attachment_339" class="wp-caption aligncenter" style="width: 471px"><img class="size-full wp-image-339" title="Garrotes Nelore IRCA." src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/04/dsc00061b1.jpg" alt="Novilhos nelore IRCA com 17 meses de idade e boa carcaça." width="461" height="346" /><p class="wp-caption-text">Novilhos nelore IRCA com 17 meses de idade e boa carcaça.</p></div>
<p>A crescente concorrência entre países e entre fontes alternativas de proteína tem estimulado as indústrias a dar atenção crescente às exigências do mercado. E, cada vez mais, o consumidor moderno deixa de comprar produtos para comprar &#8220;conceitos&#8221;.</p>
<p>Na produção, como de resto em toda a cadeia, o que inclui a tipificação das carcaças, o fundamental é que a implementação de sistemas operacionais, processamento e comercialização atenda aos &#8220;conceitos&#8221; de segurança alimentar, respeito às condições sociais dos que trabalham e preservação do meio ambiente. País ou indústria que não se adequar a essa realidade, em breve estará fora do mercado.</p>
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		<title>Especial Pastagens: Um caso de sucesso com pastejo contínuo sustentável, revista DBO, novembro 2008</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 15:19:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Maristela Franco Por detrás da fala mansa, que guarda forte acento pernambucano, apesar dos 32 anos vividos no interior de Goiás, esconde-se um espírito inquieto. José da Rocha Cavalcanti não gosta de idéias prontas. Tudo em sua Fazenda Providência do Vale Verde, localizada no município goiano de São Miguel do Araguaia, é diferente, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<h2 style="text-align: center;"><img title="Um caso de sucesso em pastejo continuo sustentável" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/esppastagenscapa1.jpg?w=250&amp;h=349" alt="Um caso de sucesso em pastejo continuo sustentável" width="250" height="349" /></h2>
<p style="text-align: right;"><em>Por Maristela Franco</em></p>
<p>Por detrás da fala mansa, que guarda forte acento pernambucano, apesar dos 32 anos vividos no interior de Goiás, esconde-se um espírito inquieto. José da Rocha Cavalcanti não gosta de idéias prontas. Tudo em sua Fazenda Providência do Vale Verde, localizada no município goiano de São Miguel do Araguaia, é diferente, apesar de a propriedade, à primeira vista, assemelhar-se a tantas outras da região.</p>
<div id="attachment_410" style="width: 510px;">
<div id="attachment_410" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;"><img class="size-full wp-image-410" title="vacas-no-pasto" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/vacas-no-pasto.gif?w=500&amp;h=256" alt="No pastejo contínuo, Cavalcanti privilegia o desempenho individual dos animais." width="500" height="256" /></p>
<p class="wp-caption-text">No pastejo contínuo, Cavalcanti privilegia o desempenho individual dos animais.</p>
</div>
</div>
<p>Cavalcanti acredita no pastejo contínuo, quando muitos técnicos associam esse método com baixa produtividade e pouco lucro. Também defende a divisão do rebanho em lotes pequenos para preservar o bem-estar dos animais. Não desmama os bezerros, processa seu próprio sal mineral e nunca usou um litro de herbicida.</p>
<p>Na varanda da sede da fazenda, ele explana suas idéias calmamente, em meio ao calor modorrento de 38 graus à sombra, típico dos cerrados goianos no auge da seca.</p>
<p>“Muita gente vê o pastejo rotacionado como uma panacéia, sem considerar os riscos inerentes a esse modelo, que exige maiores investimentos em infra-estrutura, além de ser dependente de adubos, cujos preços dobraram entre 2007 e 2008. Aqui – aponta as pastagens desidratadas pelo sol –, eu tiro carne de pedra. Faço isso, sem aumentar a lotação e os custos, mas favorecendo o desempenho dos animais, que chegam a ganhar 1,4 kg/cab/dia nas águas, exclusivamente a pasto”, diz o pecuarista de 55 anos, agrônomo, natural de Recife, que, apesar das dificuldades, produz anualmente 5.340@ líquidas em801 hectares de pastagens, ou 6,65@/ha, contra 4@ da média nacional.</p>
<p>“Os adeptos do  rotacionado pensam apenas em produtividade de massa forrageira e altas lotações. Com isso, criam uma imagem de eficiência. Eu pergunto, porém, o que é mais vantajoso: produzir 10.000@ gastando 9.000@ ou produzir 5.000@  gastando 3.000@?”, indaga Cavalcanti.</p>
<p>“Não busco maior produção de carne/ha e sim maior lucratividade/ha, dentro da minha realidade. Eis o ‘x’ da questão, freqüentemente menosprezado pelos defensores do atual modelo de intensificação pecuária”, ressalta o produtor.</p>
<p>Segundo ele, o rotacionado tem seus méritos, mas não deve ser visto como única alternativa de manejo de pastagens, muito menos utilizado de forma indiscriminada, sem avaliação econômica. “Para minhas condições edafoclimáticas e meu sistema de produção, baseado na cria/recria/engorda, o pastejo contínuo com carga animal variável é a melhor opção”, afirma Cavalcanti.</p>
<div><img title="mapa-fazenda-providencia-nelore-irca" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/mapa-fazenda-providencia-nelore-irca.gif?w=500&amp;h=263" alt="mapa-fazenda-providencia-nelore-irca" width="500" height="263" /></div>
<p><strong>DESAFIO</strong></p>
<p>A Fazenda Providência do Vale Verde tem 1.100 ha e está encravada no Vale do Araguaia, próxima à Ilha do Bananal, na divisa de Goiás com Tocantins e Mato Grosso. Essa região tem índice pluviométrico de 1.600 mm/ano, mas as chuvas se concentram entre 15 de outubro e 15 demarço. Além disso, as temperaturas são elevadas (30 a 38°C) e a altitude, baixa (200-300 m), fator pouco favorável ao plantio de culturas graníferas como o milho.</p>
<p>“Em 1976, quando meu pai, Carlos da Rocha Cavalcanti, decidiu vender as terras que possuía no Nordeste e buscar novas fronteiras, deixou-me escolher o lugar onde iniciaria minha vida de pecuarista, já que eu havia acabado de me formar em agronomia, pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Fui ao Pará, ao Mato Grosso, mas simpatizei com São Miguel do Araguaia, justamente pela aptidão pastoril de suas terras”.</p>
<p>Após a morte do pai, coube-lhe por sorteio uma gleba tipicamente de cerrado, com solos muito ácidos (pH de 4,2) e pouco férteis. “Ao examinar análises de meus solos, um técnico me perguntou, brincando, se neles nascia alguma planta”, conta o agrônomo, explicando que, para corrigir esse perfil químico é preciso gastar muito dinheiro.</p>
<p>Como a fazenda tem 800 hectares de pastagens e se estima que sejam necessárias 4 t/ha de calcário para correção da acidez, os gastos apenas com esse insumo, sem considerar mão-de-obra e combustível, seriam de R$ 243.200, com a tonelada a R$ 76. Já a despesa com adubos ultrapassaria R$ 472.800.</p>
<p>Esses valores somados equivalem a quase 500 bois gordos. A propriedade fica a 525 km de Goiânia, o que torna os insumosmais caros, devido ao frete.</p>
<p>Mesmo que fizesse esses investimentos aos poucos, Cavalcanti teria de pedir empréstimo a bancos, incorporando risco a seu negócio. “Quando se entra nessa roda-viva, não dá pra desistir no meio do caminho, pois é preciso honrar os compromissos; colocar mais animais no pasto, para aproveitar toda a massa forrageira produzida; confinar ou investir mais em suplementação na seca, etc.</p>
<p>É muito arriscado fazer isso numa região com regime de chuvas curto, ou seja, onde se tira menor proveito da adubação nitrogenada. A não ser que eu instale um pivô na fazenda. Mas aí já começamos a extrapolar o limite do razoável, pois sou um pecuarista de porte médio e não tenho outras fontes de renda, ao contrário dos empresários que se tornam fazendeiros da noite para o dia e decidem desembolsar milhões em projetos hipertecnificados”.</p>
<div id="attachment_395" style="width: 510px;">
<div id="attachment_395" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;"><img class="size-full wp-image-395" title="garrotes-nelore-irca" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/garrotes-nelore-irca.jpg?w=500&amp;h=332" alt="Machos de 25 meses, em pasto de braquiarão, no auge da seca de 2008." width="500" height="332" /></p>
<p class="wp-caption-text">Machos de 25 meses, em pasto de braquiarão, no auge da seca de 2008.</p>
</div>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>RENTABILIDADE</strong></p>
<p style="text-align: justify;">José Cavalcanti sabe que está indo contra a corrente; afinal, até o governo federal defende a intensificação pecuária para diminuir pressões sobre a Floresta Amazônica. Mas não liga.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem quando o chamam de romântico e idealista, em tom condescendente ou provocativo. “A intensificação quase sempre é vista de forma unilateral. Muita gente se esquece de que, ao colocarmos mais bois por hectare, poluímos ainda mais o planeta, pois a emissão de CO2 torna-se maior do que o volume captado pelas pastagens. Sem falar na contaminação do solo e fontes hídricas pelo uso intensivo de adubos e agrotóxicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quantos quilos de carne podemos produzir por hectare de maneira sustentável, com boa lucratividade? Essa é a conta que me interessa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Até 2006, José da Rocha Cavalcanti fazia confinamento, mas em 2007 e 2008 ele preferiu vender parte dos animais na recria, pois o preço do boi magro estava compensador e os custos de arraçoamento muito elevados (veja análise econômica de seu sistema de produção em quadro à parte). Segundo ele, a fazenda precisa produzir riqueza e não dívida e estresse para o proprietário, quando este vê sua conta fechar no vermelho. “Quem tem pouca terra e depende exclusivamente da pecuária para sustentar a família, além de manter seu quadro de funcionários motivados, com carteira assinada e bons salários, precisa planejar bem suas ações. Eu estou formando meu quinto filho com esses 800 hectares”, conta orgulhoso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rentabilidade de 8,6% sobre o patrimônio</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em setembro deste ano, o rebanho de Cavalcanti somava 1.170 cabeças, das quais 55,5% eram fêmeas com mais de dois anos. Pertencente à quarta geração de selecionadores da marca Nelore Irca, que neste ano comemora 93 anos de existência, ele comercializa anualmente 60 tourinhos e 40 fêmeas registradas. Mas, ao calcular sua rentabilidade, faz questão de excluir o valor agregado pela genética às 5.340@ líqüidas que produziu em 2007, para possibilitar comparações com outros projetos de pecuária de corte.</p>
<p style="text-align: justify;">Na análise econômica realizada por Alexandre Mendonça de Barros, professor da Fundação Getúlio Vargas e consultor da MB Agro, essas  5.340 arrobas foram cotadas a preço de gado comercial, pela praça de Goiânia   (R$ 85/@, até 15 outubro).</p>
<p style="text-align: justify;">“Chegamos a um faturamento anual de R$ 440.706, ou seja, R$ 550/ha. Como o custo operacional foi de R$ 303.080, o pecuarista obteve receita líquida operacional de R$ 137.626 (retorno de 31,2%). Considerando-se o valor da terra na região de São Miguel do Araguaia (R$ 2.000/ha), a rentabilidade sobre o patrimônio foi de 8,6%.</p>
<p style="text-align: justify;">Para uma propriedade de porte médio, que faz ciclo completo e conta com baixíssimo estoque inicial de recursos, esse é um resultado muito bom”, diz o economista.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o anuário Anualpec, da Consultoria AgraFNP, em 2007 as fazendas de porte semelhante (500 a 800 UA), que se dedicavam à cria/recria/engorda extensiva (no caso, pastejo contínuo tradicional, sem carga variável), registraram receita líqüida operacional de 25% e rentabilididade sobre o patrimônio de 1,3%. Já naquelas que faziam ciclo completo intensivo, esses índices foram de  -22%  e  0,9%, respectivamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;">Mendonça de Barros enfatiza que um sistema de produção deve ser entendido a partir de suas restrições, como baixa disponibilidade de capital, meio ambiente adverso etc.</span> “Freqüentemente se afirma que, se não forem realizados investimentos e utilizados insumos na atividade pecuária, ela tenderá a desaparecer por sua baixa eficiência. Essas afirmações padecem de sentido econômico. Não é correto fazer generalizações sobre sistemas de produção. Sua eficiência deve ser avaliada a partir das restrições de capital de cada propriedade. Nesse sentido, a Fazenda Providência do Vale Verde é um exemplo de pecuária eficiente no Brasil”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img title="tabela-resultado" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/tabela-resultado.gif?w=323&amp;h=411" alt="tabela-resultado" width="323" height="411" /></p>
</blockquote>
<p><strong>Carga animal variável, ajustada à forragem</strong></p>
<h2>
<div id="attachment_406" style="width: 509px;">
<h2 class="mceTemp">
<div id="attachment_406" class="wp-caption alignnone" style="width: 509px;"><img class="size-full wp-image-406" title="dsc_0073" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/dsc_0073.jpg?w=499&amp;h=752" alt="As primíparas recebem cuidados especiais, para que voltem a emprenhar logo." width="499" height="752" /></p>
<p class="wp-caption-text">As primíparas recebem cuidados especiais, para que voltem a emprenhar logo.</p>
</div>
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</h2>
<p>O método de pastejo contínuo tem sido utilizado há gerações e ainda predomina em 90% das fazendas de gado de corte do País. Mas a maioria de seus adeptos faz manejo extensivo, ou seja, não ajusta a carga animal à forragem disponível nos pastos, em geral enormes, levando-os à degradação. José da Rocha Cavalcanti não faz parte desse clube. Ele dividiu seus 801 hectares de pastagens em piquetes relativamente pequenos (veja descrição do Método Irca na página seguinte). Além disso, criou um esquema de monitoramento das pastagens, com base em notas ou escores, que lhe permite verificar se a lotação está adequada ou não à oferta de forragem.</p>
<p>Cavalcanti faz pastejo contínuo com carga variável, método que o professor Sila Carneiro Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, considera tão bom quanto o rotacionado, quando bem-feito. “Se o produtor ajusta a lotação à oferta de forragem; se não deixa a gramínea passar do ponto nas águas, por falta de animais para consumi-la; se intuitivamente respeita as necessidades da planta, quando chove abaixo do esperado; se não castiga o capim no inverno, colocando na área mais gado do que ele suporta, o pastejo contínuo dá resultado positivo e pode sustentar boas lotações”, afiança.</p>
<blockquote><p><strong>Equívocos comuns, segundo o Prof. Sila Carneiro Filho da ESALQ: </strong></p>
<p>1º) Uso do termo “sistema” para definir modalidades de pastejo.<br />
Segundo o professor Sila, sistema é um conjunto de fatores (clima, solo, plantas, animais, infra-estrutura, insumos etc.) organizados para a produção. O termo correto é método de pastejo ou, para ser mais preciso, método de colheita de forragem.</p>
<p>2º) Uso do termo “pastejo contínuo” sem considerar que…<br />
Não existe colheita contínua de forragem por parte dos animais, o que existe é presença contínua desses animais na área. Um perfilho (unidade básica de crescimento da planta) somente é visitado a cada 30 dias nesse método de pastejo, devido à menor lotação por hectare.</p>
<p>3º) Confusão de “pastejo contínuo” com extensivismo.<br />
A maioria dos pecuaristas pensa que fazer pastejo contínuo é colocar um grupo de animais numa área e largá-los lá, sem monitoramento, sem meta nenhuma. Isso, na verdade, é ausência de método, diz Sila, é puro extrativismo dos recursos naturais disponíveis.</p></blockquote>
<p>É verdade que o risco de errar é menor no rotacionado, afirma o professor. “Se o pecuarista tem 30 piquetes e usa um deles a cada dois dias, estará concentrando os animais em um/trinta avos da fazenda. Caso cometa algum erro de manejo, ele poderá corrigi-lo no dia seguinte, evitando danos ao restante da área. No rotacionado, as mudanças são mais bruscas, mais visíveis. Em um/dois dias, o capim passa, digamos, de 1 metro de altura para 30 cm. Já no pastejo contínuo, é preciso ter um olho muito bom, pois as mudanças na pastagem são sutis e todos os piquetes ficam ocupados ao mesmo tempo, todo o tempo, exigindo maior atenção do manejador”, diz Sila.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OLHO DE ÁGUIA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na Fazenda Providência do Vale Verde, o olho que enxerga essas mudanças sutis é o do capataz Donizete dos Reis. Ele percorre a propriedade, observando os pastos e lhes conferindo notas de 1 a 9. O pasto considerado ideal é o de nota 5, que apresenta a maior quantidade de folhas disponíveis para alimentação dos animais. As piores são as de notas 1 (rapado) e 9 (passado). As demais são intermediárias: quanto mais próximas de 5, melhores; quanto mais próximas dos extremos, piores.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, o olho de Donizete está tão treinado que ele dá notas partidas: 4,5; 7,5 etc. O fato de os piquetes serem relativamente pequenos ajuda nessa avaliação. A freqüência do monitoramento varia de acordo com a estação do ano. Na época de maior crescimento das gramíneas, realiza-se uma inspeção a cada 10-20 dias; na seca, a cada 40 dias. Se o clima se comporta de forma diferente do previsto, encurta-se o intervalo de tempo entre as “leituras”.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do pasto, os bovinos também têm seu escore corporal avaliado por meio de notas. Um animal magro recebe nota 1 e um gordo, nota 5. “Criamos também uma forma de pontuar a média dos lotes, com registros de possíveis variações. Por exemplo: se o lote tem nota 3, mas nele encontramse vacas de escore 5 (muito gordas), nós registramos na planilha 3/5”, explica José Cavalcanti.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse sistema de dupla avaliação é fundamental para o bom manejo dos piquetes, que são formados principalmente com andropógon (69% da área de pastagem) e braquiarão (17,85%), com alguns pequenos módulos de tanzânia, mombaça, massai e quicuio. “Desenvolvemos um conhecimento instintivo do comportamento desses capins. Claro que é possível estimar a massa forrageira disponível no pasto com ajuda de instrumentos, como o quadrado ou o disco medidor australiano, mas preferimos trabalhar com parâmetros visuais, que facilitam a tomada de decisões. Se um pasto e seu lote recebem notas baixas, é porque a carga está alta, exigindo medidas corretivas, como a substituição dos animais por outros mais leves. Se ambos (pasto e lote) obtêm boas pontuações, é porque acertamos no manejo”, diz o pecuarista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Prescrição padronizada de manejo evita confusões</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img title="metodo-pastejo-irca" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/metodo-pastejo-irca.gif?w=353&amp;h=136" alt="metodo-pastejo-irca" width="353" height="136" /></p>
<p style="text-align: justify;">*Método descrito com base nas regras estabelecidas pela Society for Range Managment. Os traços e os dois pontos não têm conotação matemática, apenas servem para separar os números.</p>
<p style="text-align: justify;"><img title="metodo-pastejo-convencional" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/metodo-pastejo-convencional.gif?w=349&amp;h=132" alt="metodo-pastejo-convencional" width="349" height="132" /></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Devido às diversidades edafoclimáticas e à complexidade dos sistemas de produção no mundo, existe tamanha quantidade de métodos de pastejo que a Society for Range Managment, instituição norteamericana que se dedica ao estudo da ecologia de pastagens, sugeriu que eles fossem descritos de forma padronizada, utilizando-se uma sequência numérica separada por um traço, uma vírgula e dois pontos, que neste caso não têm função aritmética<br />
(veja ilustração).</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, qualquer técnico ou pecuarista poderá visualizar com facilidade os itens básicos do método de pastejo usado em determinada fazenda, evitando confusões.</p>
<p style="text-align: justify;">José da Rocha Cavalcanti trabalha com 50 pastos, de 5 a 30 ha, e um lote de animais por pasto durante os 365 dias do ano, ou seja, com zero dias de descanso.</p>
<p style="text-align: justify;">A divisão das pastagens em 50 piquetes não é casual. Tem a ver com o tamanho ideal do lote, que ele estipulou em no máximo 30 cabeças. Com base nesse critério, a área da pastagem pode variar de 15 ha a 25-30 ha, dependendo da fertilidade do solo, do clima local, do tipo de gramínea, etc. O importante é que o piquete tenha capacidade de suporte para pelo menos 10 anos.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>SEM CANSAÇO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A meta de José Cavalcanti é evitar que as gramíneas recebam pontuação baixa e tenham de ser poupadas ara recuperação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">“Meus pastos não descansam porque não cansam”</span></strong>, brinca ele, garantindo que o pastejo contínuo também não gera desperdício de forragem, ao contrário do que muitos pensam. O professor Sila Carneiro<br />
concorda. Segundo ele, a perda de forragem deve-se à ineficiência na colheita do capim, não ao método de pastejo.<br />
Por exemplo: se o produtor rotacionar um piquete de mombaça com período de descanso fixo de 30-35 dias, colherá forragem velha e de baixa qualidade, como também ocorre com os adeptos da “fartura” (leia-se sobra de capim) no pastejo contínuo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sila frisa que existem muitos equívocos em manejo de pastagens. Um dos mais comuns é considerar métodos de colheita de forragem como antagônicos. Tanto o rotacionado e quanto o contínuo podem ser técnica e economicamente viáveis, dependendo do sistema de produção, da capacidade de administrar riscos e da perícia do manejador. Uma forma de errar menos, diz o professor, é guiar-se pela altura do capim. Pesquisas conduzidas pela Esalq mostraram que o braquiarão sob pastejo rotacionado, por exemplo, deve ser colhido quando a sua altura atingir 25 cm, retirando-se os animais da área assim que a altura recuar para 10-15 cm. Sob pastejo contínuo, o ideal é manter o capim sempre a 20-40 cm do solo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dois métodos, o uso da pastagem pode ser mais ou menos intenso. “O que importa é administrar bem os recursos disponíveis. Se o pecuarista adubar, irrigar e colher mal a forragem, desperdiçará insumos e terá prejuízo. Trabalhar com forrageiras adequadas a cada sistema também ajuda bastante. Os panicuns, por exemplo, não são indicados para pastejo contínuo, pois precisam de um período de descanso para recompor suas reservas nutricionais e respondem bem à adubação nitrogenada, por isso se constituem em boa opção para quem faz colheita rotativa de forragem com base nessa prática”, diz o professor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LOTAÇÃO </strong></p>
<p style="text-align: justify;">José Cavalcanti não se opõe à adubação em si. Já adubou moderadamente seus pastos de tanzânia e mombaça, que utiliza para alojar categorias mais exigentes, como as primíparas. Contudo, não admite dependência excessiva de insumos. Prefere soluções mais baratas e sustentáveis. Por exemplo: nunca calcula a lotação dos pastos considerando o consumo de 100% da forragem disponível; deixa sempre um percentual de capim para incorporação ao solo, na forma de matéria orgânica. É uma maneira natural de repor parte dos nutrientes extraídos do solo. “Meu sistema de produção está inserido no conceito de sustentabilidade. Aliás, os pecuaristas precisam começar a medir, quantificar, monitorar os prejuízos que causam ao meio ambiente com suas práticas de<br />
alta produtividade”, alerta.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas águas, Cavalcanti trabalha com 1,5 a 2 UA/ha, mas a lotação cai para 1,1 UA/ha na seca, quando ele vende animais. “Sou um criador, não um invernista. Digo que tenho datas de venda e não pesos de venda, embora precise colocar o máximo possível de quilos nos animais até à chegada do período estipulado para comercialização. No ciclo completo, cada etapa de produção deve ser nota dez. Não adianta ter eficiência apenas na recria, por exemplo”, diz o agrônomo. Ele procura explorar todo o potencial produtivo do andropógon nas águas, porque esse capim suporta maior pressão de pastejo (mais kg de peso vivo por kg de matéria seca produzida), enquanto as braquiárias prestam-se muito bem ao uso na seca.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre limpeza de pastos, Cavalcanti tem opinião formada: “Nunca comprei um litro de herbicida na minha vida, para não eliminar as leguminosas nativas. Faço apenas roçagem manual ou mecânica”. Como a incidência de vermes no rebanho é baixa, ele gasta pouco com vermífugos. Já os suplementos minerais são preparados na fazenda, devido ao menor custo e por se tratar de produto formulado pelo agrônomo para as condições específicas da propriedade. Além de sal branco, minerais e proteína verdadeira (farelo de soja), os suplementos ainda contêm monensina utilizada como coccidiostático.</p>
<p><strong>O conforto em primeiro lugar</strong></p>
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<div id="attachment_404" style="width: 509px;"><img title="dsc_00661" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/dsc_00661.jpg?w=499&amp;h=752" alt="Convivência em pequenos grupos (cerca de 30 animais) resulta em maior ganho de peso" width="499" height="752" /></div>
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</div>
<p>Para obter o melhor desempenho a pasto, os bovinos precisam de comida farta e muita tranqüilidade. O estresse pode gerar irritação, inapetência e, conseqüentemente, menor ganho ou até perda de peso. José da Rocha Cavalcanti leva o bem-estar animal muito a sério, pois seu sistema de produção depende de boas performances individuais. “Se c o l o c a rmo s quatro animais por hectare, ganhando 600 g/cab/dia, produziremos 2,4 kg/ha/dia. Se, no mesmo hectare, alojarmos apenas dois animais, dandolhes maior conforto e possibilidade de selecionar a forragem, poderão engordar<br />
1,2 kg/cab/dia, garantindo ao produtor os mesmos 2,4 kg diários que ele obteria com a lotação dobrada”, argumenta<br />
o pecuarista.</p>
<p>Cavalcanti garante conseguir nas águas (outubro a março), ganhos entre 1 e 1,4 kg/cab/dia em machos inteiros, com idade entre 22 e 27 meses, mantidos em pastos de andropógon com 22 ha cada e recebendo apenas<br />
sal mineral. Claro que não se pode desconsiderar a participação do efeito compensatório e da qualidade genética dos animais nesse ganho, mas, segundo Cavalcanti, a principal explicação para um desempenho tão superior à média, que é de 600-800 g/cab/dia, está no tamanho reduzido dos lotes, compostos por no máximo 30 animais.</p>
<p>Esse número não é cabalístico, mas fruto de observações. “Os bovinos têm forte instinto gregário, mas pouca memória. Eles só gostam de viver ao lado de quem conhecem. Em lotes compostos por mais de 30 cabeças, eles perdem a noção de quem é quem no lote. Quando isso ocorre, ficam estressados e engordam menos”, relata o pecuarista, cujas idéias têm conquistado adeptos (veja quadro da página 58).</p>
<p>CADEIA DE VIRTUOSIDADES</p>
<h2 class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<div id="attachment_405" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;"><img class="size-full wp-image-405" title="dsc_0059" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/dsc_0059.jpg?w=500&amp;h=332" alt="Cavalcanti maneja os animais com visão de longo prazo para evitar estresse" width="500" height="332" /></p>
<p class="wp-caption-text">Cavalcanti maneja os animais com visão de longo prazo para evitar estresse</p>
</div>
</h2>
<p>Segundo Cavalcanti, quando os animais são agrupapos em pequenos núcleos, cria-se uma “cadeia de virtuosidades produtivas”: a taxa de fêmeas prenhes aumenta, nascem mais bezerros, que desmamam mais pesados e são abatidos mais cedo. Tudo isso porque eles vivem em situação de conforto. Cavalcanti utiliza uma fórmula clássica da nutrição na defesa de sua tese: a energia disponível para produção é igual à energia consumida pelo animal, menos a energia que ele usa para mantença corporal.</p>
<p>“Na literatura”, diz Cavalcanti, “encontramos apenas trabalhos relacionando demanda de energia para mantença com adaptabilidade ao ambiente, tamanho do bovino ou idade. Ninguém estudou ainda quanto essa demanda pode variar em função da qualidade da convivência do animal no lote. Se ela é confortável, harmoniosa, sobra mais energia para produção. Já constatei isso, várias vezes, a campo”.</p>
<p>A movimentação de lotes é feita com cautela e visão de longo prazo, para não provocar estresse. “O ideal seria que os lotes permanecessem o ano inteiro no mesmo piquete, mas isso nem sempre é possível por causa da necessidade de adequação da carga animal aos pastos”. Uma regra de ouro é não introduzir animais novos em grupos estruturados, compostos por indivíduos que já se conhecem e vivem juntos há algum tempo. É prejuízo na certa. Perde-se toda a seqüência de benefícios produtivos obtida até então, em função do bem-estar coletivo.</p>
<p>FORMAÇÃO DOS LOTES</p>
<p>José Cavalcanti valoriza muito o conceito de “família bovina”. As vacas permanecem com suas crias até os 10-12 meses. Ele não desmama os bezerros, por acreditar que o estresse da separação mãe-filho provoca na fêmea um dispêndio de energia maior do que o exigido pela amamentação. Deixa que o desmame ocorra naturalmente. A própria vaca afasta o bezerro quando sente que chegou o momento de pouparse para o novo filho que vai nascer. “Outro dia, vi dois bezerros mamando na mesma vaca, porque a mãe de um deles já estava em processo de desmama. Ele ali, satisfeito, e a mãe do amigo dando leite para os dois”, conta Cavalcanti.</p>
<div id="attachment_364" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;"><img class="size-full wp-image-364 " title="Matriz IRCA amamenta dois bezerros." src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/vaca-amamenta-21.jpg?w=500&amp;h=271" alt="Matriz IRCA amamenta dois bezerros: o seu próprio fiho e o da vaca ao lado, já em processo de desmama natural." width="500" height="271" /></p>
<p class="wp-caption-text">Matriz IRCA (à direita) amamenta dois bezerros: o seu próprio filho e o da vaca ao centro, já em processo de desmama natural. Família bovina unida engorda unida. O bezerro fica com a mãe até 10-12 meses. A desmama ocorre naturalmente.</p>
</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 8076px; width: 1px; height: 1px;">
<h2 class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A utilização desse método em nada prejudica a taxa de prenhez, que, nos últimos quatro anos, registrou média de 93% nas nulíparas (fêmeas que nunca pariram), 81,5% nas primíparas e 89,33% nas multíparas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando elas estão perto de dar cria, os bezerros são transferidos para outro piquete, mas aí já estão desmamados e integrados ao grupo contemporâneo<br />
(fêmeas e machos nascidos na mesma época). A separação por sexo somente é realizada em dezembro/janeiro, quando as novilhas completam 13-14 meses. Cerca de 20-40 são descartadas e as restantes destinadas à reposição.<br />
A maioria entra em manejo de inseminação com 22-24 meses, e as que emprenham formam novo lote.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CUIDADOS ESPECIAIS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As primíparas são reunidas em grupos específicos, de no máximo 25 cabeças, e recebem cuidados especiais para garantir a reconcepção, que depende muito da boa condição nutricional no terço final da gestação. Por isso, elas são alojadas nos melhores pastos, formados com tanzânia e mombaça. Trata-se de um lote delicado, exigente, que deve ser manejado com carinho e tranqüilidade. Elas permanecem juntas até o diagnóstico de gestação, quando se faz um reagrupamento em função do índice de prenhez.</p>
<p style="text-align: justify;">Como a fazenda está com o rebanho estabilizado, cerca de 200 fêmeas são vendidas anualmente: 40 na idade de sobreano, por questões técnicas; 120 já adultas, devido à pressão de seleção ou por estarem vazias, e 40 por terem alto potencial genético (fêmeas registradas). Já os machos passam por avaliação genética aos 15-17 meses. Aqueles que são classificados como tourinhos formam grupos à parte, e os demais permanecem juntos até que sejam vendidos para recria ou para o frigorífico.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Prova dos nove</strong></p>
<div id="attachment_369" class="wp-caption alignnone" style="width: 138px;"><img class="size-thumbnail wp-image-369 " title="José Henrique P.M. de Andrade" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/dsc01381b2.jpg?w=128&amp;h=96" alt="José Henrique" width="128" height="96" /></p>
<p class="wp-caption-text">José Henrique</p>
</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">José Henrique Pereira Martins de Andrade, proprietário da Fazenda Nova América, também no município de São Miguel do Araguaia, sempre ouvia Cavalcanti falar sobre as vantagens dos lotes pequenos, mas se mantinha cético.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dia, decidiu tirar a prova dos nove e descobriu que o vizinho tinha razão. Andrade tinha 59 bois erados (quase três anos), com peso de 450 kg, mas ainda magros (sem gordura de cobertura). Era final das águas (abril/maio), não havia mais como engordar os animais somente a pasto e ele decidiu semi-confiná-los. Ao mesmo tempo, colocou outro lote de 25 novilhos, 10 meses mais novos e 100 kg mais leves, num piquete à parte, suplementados apenas com sal mineral.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de 67 dias, o lote semi-confinado havia engordado 102 kg/cab, ao custo de R$ 239/cab. Já o segundo registrara o mesmo ganho de peso (102 kg), ao custo de R$ 8/cab. Técnicamente, esses dois grupos não poderiam ser comparados, porque tinham peso e idade diferentes, mas a experiência, segundo Andrade, foi reveladora.</p>
<p style="text-align: justify;">“Hoje, acredito que a divisão dos animais em lotes pequenos melhora o ganho de peso”, diz o produtor, cuja fazenda tem 1.704 hectares e abriga 2.000 cabeças. Andrade também faz ciclo completo e se diz integrante da classe de pecuaristas que “carrega a carga nas costas, ou seja, não é dono de banco, não tem outras fontes de renda, nem vive na ilha da fantasia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como seus pastos ainda são relativamente grandes, ele não consegue trabalhar apenas com lotes pequenos, mas se pudesse não hesitaria: os animais tornam-se mais produtivos, são mais fáceis de manejar e ficam menos estressados.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Menos estresse, mais produção.</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A organização social dos bovinos a pasto em nada se parece com a hierarquia existente num batalhão militar, no qual o sargento dá ordens e os soldados obedecem. Assemelha-se mais com a de uma equipe, um time. Por isso, se o pecuarista separa animais que se dão bem juntos, desestrutura o grupo.</p>
<p style="text-align: justify;">“É como se, numa equipe de futebol entrosada, o zagueiro se machucasse. Nesse caso, quem vai desempenhar sua função? Ele pode não ser o líder do grupo, mas desempenha um papel fundamental. A convivência diária, a distribuição de tarefas, os papéis vão ter de mudar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já observei que esses papéis, depois de estabelecidos, geralmente são mantidos. Evito mexer até nos vizinhos de pasto, para não gerar estresse, que reduz o ganho de peso”, explica Cavalcanti.</p>
</blockquote>
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</div>
<p>A utilização desse método em nada prejudica a taxa de prenhez, que, nos últimos quatro anos, registrou média de 93% nas nulíparas (fêmeas que nunca pariram), 81,5% nas primíparas e 89,33% nas multíparas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando elas estão perto de dar cria, os bezerros são transferidos para outro piquete, mas aí já estão desmamados e integrados ao grupo contemporâneo<br />
(fêmeas e machos nascidos na mesma época). A separação por sexo somente é realizada em dezembro/janeiro, quando as novilhas completam 13-14 meses. Cerca de 20-40 são descartadas e as restantes destinadas à reposição.<br />
A maioria entra em manejo de inseminação com 22-24 meses, e as que emprenham formam novo lote.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CUIDADOS ESPECIAIS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As primíparas são reunidas em grupos específicos, de no máximo 25 cabeças, e recebem cuidados especiais para garantir a reconcepção, que depende muito da boa condição nutricional no terço final da gestação. Por isso, elas são alojadas nos melhores pastos, formados com tanzânia e mombaça. Trata-se de um lote delicado, exigente, que deve ser manejado com carinho e tranqüilidade. Elas permanecem juntas até o diagnóstico de gestação, quando se faz um reagrupamento em função do índice de prenhez.</p>
<p style="text-align: justify;">Como a fazenda está com o rebanho estabilizado, cerca de 200 fêmeas são vendidas anualmente: 40 na idade de sobreano, por questões técnicas; 120 já adultas, devido à pressão de seleção ou por estarem vazias, e 40 por terem alto potencial genético (fêmeas registradas). Já os machos passam por avaliação genética aos 15-17 meses. Aqueles que são classificados como tourinhos formam grupos à parte, e os demais permanecem juntos até que sejam vendidos para recria ou para o frigorífico.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Prova dos nove</strong></p>
<div id="attachment_369" class="wp-caption alignnone" style="width: 138px;"><img class="size-thumbnail wp-image-369 " title="José Henrique P.M. de Andrade" src="http://neloreirca.files.wordpress.com/2009/02/dsc01381b2.jpg?w=128&amp;h=96" alt="José Henrique" width="128" height="96" /></p>
<p class="wp-caption-text">José Henrique</p>
</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">José Henrique Pereira Martins de Andrade, proprietário da Fazenda Nova América, também no município de São Miguel do Araguaia, sempre ouvia Cavalcanti falar sobre as vantagens dos lotes pequenos, mas se mantinha cético.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dia, decidiu tirar a prova dos nove e descobriu que o vizinho tinha razão. Andrade tinha 59 bois erados (quase três anos), com peso de 450 kg, mas ainda magros (sem gordura de cobertura). Era final das águas (abril/maio), não havia mais como engordar os animais somente a pasto e ele decidiu semi-confiná-los. Ao mesmo tempo, colocou outro lote de 25 novilhos, 10 meses mais novos e 100 kg mais leves, num piquete à parte, suplementados apenas com sal mineral.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de 67 dias, o lote semi-confinado havia engordado 102 kg/cab, ao custo de R$ 239/cab. Já o segundo registrara o mesmo ganho de peso (102 kg), ao custo de R$ 8/cab. Técnicamente, esses dois grupos não poderiam ser comparados, porque tinham peso e idade diferentes, mas a experiência, segundo Andrade, foi reveladora.</p>
<p style="text-align: justify;">“Hoje, acredito que a divisão dos animais em lotes pequenos melhora o ganho de peso”, diz o produtor, cuja fazenda tem 1.704 hectares e abriga 2.000 cabeças. Andrade também faz ciclo completo e se diz integrante da classe de pecuaristas que “carrega a carga nas costas, ou seja, não é dono de banco, não tem outras fontes de renda, nem vive na ilha da fantasia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como seus pastos ainda são relativamente grandes, ele não consegue trabalhar apenas com lotes pequenos, mas se pudesse não hesitaria: os animais tornam-se mais produtivos, são mais fáceis de manejar e ficam menos estressados.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong>Menos estresse, mais produção.</strong></p>
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<p style="text-align: justify;">A organização social dos bovinos a pasto em nada se parece com a hierarquia existente num batalhão militar, no qual o sargento dá ordens e os soldados obedecem. Assemelha-se mais com a de uma equipe, um time. Por isso, se o pecuarista separa animais que se dão bem juntos, desestrutura o grupo.</p>
<p style="text-align: justify;">“É como se, numa equipe de futebol entrosada, o zagueiro se machucasse. Nesse caso, quem vai desempenhar sua função? Ele pode não ser o líder do grupo, mas desempenha um papel fundamental. A convivência diária, a distribuição de tarefas, os papéis vão ter de mudar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já observei que esses papéis, depois de estabelecidos, geralmente são mantidos. Evito mexer até nos vizinhos de pasto, para não gerar estresse, que reduz o ganho de peso”, explica Cavalcanti.</p>
</blockquote>
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		<title>Dicas de Manejo Pré-Embarque e Pré-Abate</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 00:58:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Do Pasto ao Embarque: Em climas de temperaturas elevadas, deve-se escolher os horários menos quentes, para locomover os animais do pasto ao curral de embarque. Ao movimentar os animais, deve-se colocar um vaqueiro atrás do lote e outro na frente “como guia” para direcionar e acalmar os animais no trajeto até o curral. É interessante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Do Pasto ao Embarque:</strong></p>
<ol>
<li> Em climas de temperaturas elevadas, deve-se escolher os horários menos quentes, para locomover os animais do pasto ao curral de embarque.</li>
<li>Ao movimentar os animais, deve-se colocar um vaqueiro atrás do lote e outro na frente “como guia” para direcionar e acalmar os animais no trajeto até o curral.</li>
<li>É interessante que os vaqueiros conduzam uma vara leve de mais ou menos 1,50 m, direcionadas para cima, de modo facilitar a visualização e localização deles pelos animais.</li>
<li>Não é recomendável o uso de vara com ferrão nem mesmo cutucar os animais com a vara, estas devem ser usadas unicamente para melhorar a visibilidade dos vaqueiros pelos animais.</li>
<li>Preferencialmente, deve-se formar as escalas de abate, com animais de mesmo padrão racial, pesos, idades e sexo, evitando-se contusões geradas por brigas.</li>
<li>Levando-se em conta as distâncias da fazenda ao frigorífico deve-se fechar o lote no curral 6 a 12 horas antes do embarque. Seria interessante ter água de boa qualidade à disposição dos animais.</li>
<li>Essa permanência no curral antes do embarque além de outros benefícios, favorece a movimentação e apartação dos animais, facilitando as pesagens pré-embarque e a colocação deles no caminhão, evitando o uso de “choques”.</li>
</ol>
<p><strong>No caminhão, entre a fazenda e o frigorífico:</strong></p>
<ol>
<li>Tão ou mais importante quanto esse período de “descanso” no curral da fazenda, serão os 30-40 minutos (tempo para tomar um café) que o caminhoneiro deverá esperar para iniciar a viagem após o embarque. Isso ajuda os animais a se acomodarem no veículo diminuindo o risco de lesões de transporte promovendo um menor nível de stress, o que comprovadamente, tem-se um maior índice de aproveitamento para o abate.</li>
<li>Outro importante ponto é a densidade de carga no caminhão. Hoje já encontramos vários tipos de caminhões, desde os tradicionais &#8220;caminhões boiadeiros&#8221;, tipo &#8220;truque&#8221; até os “cavalos mecânicos” que rebocam carretas longas ou com dois andares, “bi-trens”, entre outros, com variadas dimensões de área útil para os animais.</li>
<li>Do ponto de vista econômico, procura-se transportar os animais empregando alta densidade de carga, no entanto, este procedimento tem sido responsável pelo aumento das contusões e estresse dos animais, sendo inadmissível densidade superior a 550Kg/m2 (TARRANT et al., 1988,1992). No Brasil, a densidade de carga utilizada é em média de 390 a 410Kg/m2 (Roberto de Oliveira Roça,2002).</li>
</ol>
<p><strong>No frigorífico:</strong></p>
<ol>
<li>O monitoramento do tempo ideal compreendido entre a saída do pasto e o abate, (horas no curral da fazenda antes do embarque + horas de viagem + permanência no curral de descanso no frigorífico), é importante para haver o esvaziamento do conteúdo gástrico, diminuindo as chances de contaminação da carcaça no momento da evisceração.</li>
<li>É muito importante que os animais tenham à disposição água de boa qualidade no curral de descanso do frigorífico, favorecendo a dieta hídrica necessária para que eles se recuperem totalmente das perturbações surgidas pelo deslocamento da fazenda até o frigorífico.</li>
<li>O período de descanso aliado à dieta hídrica, favorecerá a hidratação do corpo do animal, facilitando a esfola, diminuindo as chances de rupturas do couro e, promovendo a recuperação das taxas de glicogênio no músculo, melhorando a qualidade da carne.</li>
<li>A recomendação técnica é de que os animais devem permanecer em descanso por 24 horas nos currais do frigorífico, com jejum, banhos com aspersão (para reduzir a excitação dos animais e a vaso-constrição sangüínea periférica) e dieta hídrica. Podendo este período ser menor (mínimo de 12 horas) em função da distância percorrida.</li>
<li>A movimentação dos animais do curral de descanso ao “corredor da ducha pré-abate” deverá ser feita com bastante calma, usando uma pequena vara com bandeira na extremidade, evitando-se o uso do “choque”.</li>
</ol>
<p><strong>Considerações finais:</strong></p>
<ol>
<li>Procure obter informações sobre a idoneidade dos proprietários dos frigoríficos que atuam na sua região. Selecione os que demonstram respeito aos seus fornecedores e cliente.</li>
<li>Invista no relacionamento pessoal com a equipe de compra do frigorífico. Lembre-se que seu produto tem um diferencial de qualidade e isto precisa ser demonstrado, comprovado e reconhecido por esta equipe.</li>
<li>É muito importante que você identifique “sintonia” entre o que você produz com qualidade e as boas práticas e processamentos industriais utilizados pelo frigorífico para entregar ao consumidor esse produto diferenciado. Um alimento nobre que agrega segurança alimentar e responsabilidades em relação às condições sociais dos que trabalham e preservação dos meios de produção.</li>
</ol>
<p>Este artigo foi publicado no portal <a href="http://www.beefpoint.com.br/?noticiaID=48667&amp;actA=7&amp;areaID=15&amp;secaoID=121" target="_blank">BeefPoint</a> em 07/10/2008, com a colaboração de Bruno Monteiro.</p>
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		<title>Selecionar o quê? DEPs ou produção?</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 00:55:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Exaltação de programa de melhoramento exige reflexão profunda Estamos vivendo um momento de exaltação dos Programas (de melhoramento) de Publicação das DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie). Os animais, para serem reprodutores, não precisam pertencer a uma determinada raça, não precisam do histórico reprodutivo ou de desempenho &#8211; o que não pode faltar é a DEP. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Exaltação de programa de melhoramento exige reflexão profunda</em></p>
<p>Estamos vivendo um momento de exaltação dos Programas (de melhoramento) de Publicação das DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie). Os animais, para serem reprodutores, não precisam pertencer a uma determinada raça, não precisam do histórico reprodutivo ou de desempenho &#8211; o que não pode faltar é a DEP.</p>
<p>Em todos os sumários há a definição clássica do que seja a DEP: se o touro A tem uma DEP +10 para peso à desmama e o touro B, -10, isso significa que os filhos do touro A serão, na média, 20 kg mais pesados na desmama do que os filhos do touro B.</p>
<p>Quem se candidata a pôr a mão no fogo para garantir que isso não é uma heresia científica?</p>
<p>Com a popularização do computador e os programas livres disponíveis na internet, qualquer pessoa bem intencionada pode obter as DEPs de seus animais. E daí? Será que a DEP vai aumentar a minha produção? Alguém já perguntou ao vendedor de touro ou sêmen com DEP, qual o valor da indenização caso isso não aconteça?</p>
<p>Não estou querendo dizer que a DEP é uma mentira, muito menos que é inútil. Mas não podemos aceitá-la da maneira como está sendo comercializada.</p>
<p>Precisamos ir mais fundo, questionar a maneira como está sendo calculada. A transparência de como os dados estão sendo manipulados. Em que nível de cientificidade ou superficialidade ela está sendo elaborada? Que conjugações dos modelos estão na composição das avaliações? Que cuidados estão sendo tomados para que determinados touros não estejam com suas informações viesadas. Quais os critérios que estão sendo utilizados na definição de grupos contemporâneos? Que fatores estão corrigindo diferenças ambientais? Qual o grau de conscientização do pessoal de campo, quanto à responsabilidade zootécnica, na coleta das informações, que serão enviadas e demandarão horas e mais horas de computação para comporem um banco de dados confiável? E os técnicos que estão no laboratório de informática &#8211; já tiveram algum contato com currais e animais?</p>
<p>Não é difícil se manter o &#8220;status quo&#8221; de determinados touros nos diversos sumários, para que, não havendo discordância grave, se mantenha a credibilidade. Como também, torna-se confortável seguir a &#8220;cartilha&#8221;, usar nos acasalamentos os touros que produzem &#8220;DEPs&#8221; nas suas progênies e &#8220;lavar as mãos&#8221; da responsabilidade de que genética você está passando para o seu cliente.</p>
<p>Há maneiras de se calcular a DEP até para o berro do boi, através da quantificação dos decibéis de cada um, mas e daí? Para quem, e que, estará servindo essa quantidade de DEPs (pesos aos 120, 240, 420 dias, ganhos pré e pós-desmame, IPP, MPG, DPA, PE365, PE455&#8230;&#8230;.)?</p>
<p>Qual delas vai proporcionar a produtividade que atenda a nossa expectativa?</p>
<p>Precisamos selecionar animais que sejam eficientes em produção de carne em sistemas compatíveis com nossas realidades, isto é, que proporcionem uma maior renda líquida para o produtor.</p>
<p>O foco deve estar nas características de relevância econômica e todo esforço deve estar dirigido na elaboração da DEP que reflita animais mais produtivos em seus diferentes sistemas de produção, direcionados para os seus distintos mercados.</p>
<p>Comercialização de genética requer responsabilidade de todos envolvidos ou estaremos contribuindo para um crime de lesa-pátria.</p>
<p>______________________________</p>
<p>José da Rocha Cavalcanti é agrônomo e selecionador do Nelore Irca em São Miguel do Araguaia, GO.</p>
<p><em>Artigo publicado originalmente na Edição 2004 do Anuário DBO Genética e no portal <a href="http://www.beefpoint.com.br/?noticiaID=20879&amp;actA=7&amp;areaID=15&amp;secaoID=127" target="_blank">BeefPoint</a>, em 10/09/2004, com 11 cartas comentando o artigo.</em></p>
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		<title>Formação de lotes é boa estratégia no manejo racional</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 00:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neloreirca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A pecuária de corte está sempre desafiando seus administradores quando da tomada de decisões, para obtenção de bons resultados. Em sua ação cíclica, essa atividade enfrenta momentos em que as margens de ganho tornam-se pequenas. Mantendo o negócio sob controle, nas fases favoráveis, pode faze-lo deslanchar, provendo a estabilidade da exploração. Em geral, a discussão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pecuária de corte está sempre desafiando seus administradores quando da tomada de decisões, para obtenção de bons resultados. Em sua ação cíclica, essa atividade enfrenta momentos em que as margens de ganho tornam-se pequenas. Mantendo o negócio sob controle, nas fases favoráveis, pode faze-lo deslanchar, provendo a estabilidade da exploração.</p>
<p>Em geral, a discussão sobre o modo de operar a pecuária se estabelece com base em duas formas: a extensiva e a intensiva.</p>
<p>A extensiva, freqüentemente identificada com o pastejo fixo, nem sempre é bem conduzida. Na maioria das vezes, é desenvolvida em ambiente deficitário de infra-estrutura, administrando uma manutenção de estoque do rebanho (reserva de capital) com baixas expectativas de produção.</p>
<p>A intensiva, identificada com a adoção do pastejo rotacionado, visa a maximizar a produção por área e, por isso, atrai irresistivelmente a atenção dos pesquisadores. Para seu desenvolvimento, entre outras exigências, requer um maior aporte de capital investido, uma maior utilização dos insumos &#8220;dolarizados&#8221; e mão-de-obra mais especializada. Com isso, à exceção dos módulos pequenos, operados por mão-de-obra familiar, quase sempre termina por gerar renda negativa, principalmente por não contar com uma âncora cambial nas arrobas produzidas para atrelar aos insumos exigidos.</p>
<p>Pessoalmente, prefiro uma abordagem diferente na forma de conduzir o negócio da pecuária de corte: eficiência produtiva. É o que busco na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO. A busca dessa eficiência produtiva pressupõe a utilização moderada dos insumos, infra-estruturas de bom retorno do capital investido e melhor desempenho de mão-de-obra, que resulte num maior número de animais bem assistidos por cada vaqueiro. Como objetivo se persegue a produção ótima, em vez da produção máxima. O mais importante, é maximizar as receitas líquidas.</p>
<p>Para tanto, utilizamos o sistema de pastejo fixo, com carga variável, respeitando a convivência estabelecida entre os animais nos seus respectivos lotes. Isso significa que, quando se precisa alterar a pressão de pastejo de um determinado pasto, se troca os lotes (representando cargas animais diferentes) dos pastos sem alterar a sua composição, isto é, sem alternar ou substituir os animais de cada lote. Um monitoramento mensal, por meio de notas para avaliar as condições do capim (quantidade de folhas) e o estado corporal médio dos animais de cada lote, é que indica o momento de se fazer às trocas.</p>
<p>Ao reduzir o estresse, estamos diminuindo a quantidade de energia utilizada para a mantença corporal, direcionando um saldo maior da energia consumida, para a produção. Esta maior produção, causada indiretamente pelo conforto animal, constitui a base da eficiência produtiva.</p>
<p>Entre outros fatores, o conforto animal está diretamente relacionado com o tempo gasto pelo animal para realizar a sua dieta, pela facilidade de acesso ao bebedouro e cocho de sal e pelas condições para estabelecer o seu grupo de convivência. Os bovinos têm o instinto gregário, gostam de viver em grupos de animais da mesma espécie, limitados a um determinado número, nos quais cada conhece o outro. Ao adequar o número de animais à capacidade de memorização de quem é quem no lote, proporcionamos uma convivência harmoniosa entre eles, que, então, podem expressar o seu comportamento natural, sem medo de sofrimentos, facilitando a sua locomoção e descanso.</p>
<p>Estudos recentes dão conta de grupos naturais de bovinos, formados por 12 animais, na África. Na Providência do Vale Verde, temos trabalhado com 25-30 cabeças para formar lotes de vacas (bezerro mamando não conta), e com 18-20 animais para as categorias mais exigentes, como as primíparas e vacas com mais de dez crias. Bezerras desmamadas representam a categoria mais importante na composição de um rebanho produtivo &#8211; porque têm definido seu desempenho reprodutivo com a qualidade de vida e alimentação no pós-desmama &#8211; e, por isso, seus lotes não devem ultrapassar 30 cabeças.</p>
<p>Garrotes machos inteiros, devido ao feromônio (hormônio masculino), têm sua capacidade de memorização prejudicada, chegando a causar ferimentos nas patas traseiras de tanto que montam um no outro, tentando definir quem é quem no lote. Para essa categoria, o lote ideal é de 20-25 cabeças.</p>
<p>Ao agrupar os animais, deve-se dar prioridade para que sejam da mesma espécie, idades ou categorias semelhantes, e que estejam no mesmo estágio reprodutivo (fêmeas paridas ou solteiras, por exemplo). Em princípio, esses lotes, uma vez formados, devem ser definitivos, para usufruírem ao máximo do benefício da sociabilidade estabelecida. Nulíparas e primíparas, geralmente, são reagrupadas após diagnósticos de gestação, quando se trabalha com uma estação de monta definida, para se manter a uniformidade do estágio reprodutivo.</p>
<p>Uma dica importante: se for necessário reorganizar os lotes, com mudança de alguns animais, a melhor época é na floração do capim. Com a massa abundante, dando indicação da fartura de comida, os animais tornam-se bem mais sociáveis.</p>
<p>Com esse manejo a Fazenda Providência do Vale Verde, está produzindo 7,5 @ de carne / ha de capim/ano (225 Kg de Peso Vivo/ha de capim). A média brasileira é 40 Kg de PV/ha.<br />
__________________________<br />
José da Rocha Cavalcanti é engenheiro agrônomo, integrante do GAMA, selecionador do Nelore Irca, em São Miguel do Araguaia/GO.</p>
<p><em>Esse artigo foi originalmente publicado na revista DBO Rural e no portal <a href="http://www.beefpoint.com.br/?noticiaID=21710&amp;actA=7&amp;areaID=15&amp;secaoID=127" target="_blank">BeefPoint</a> em 19/11/2004.</em></p>
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