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Melhoramento para o lucro requer mais que mudança genética

Por meio da seleção, é relativamente fácil chegar a mudanças genéticas. Basicamente, a seleção leva à mudança simultânea de um número de características correlacionadas, e numa direção determinada.

No entanto, o melhoramento genético para maior lucratividade já é mais difícil de se alcançar. Isso porque se exige que haja um valor econômico agregado nas mudanças de características individuais favoráveis.

É bom frisar um conceito: o melhoramento genético não ocorre por acaso nem em função dos dados de pedigree ou de desempenho e nem mesmo pela elaboração de Sumários das DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) de Touros.

Apenas ocorrerá melhoramento genético de um rebanho, quando aquele que decide os acasalamentos tem objetivos claros e bem determinados, sabe o que realmente influencia na lucratividade da produção. Isso implica conhecimento dos sistemas de produção, formulados a partir dos sinais do mercado, transmitidos ao longo da cadeia, desde os procedimentos na alimentação nas fases de cria, recria e acabamento, até o rendimento da carcaça ao abate e a satisfação final do consumidor.

A propósito, é bastante recomendável a leitura do trabalho de D.J. Garrick e R.M. Enns, How best achieve genetic change? (Qual o melhor caminho para atingir a mudança genética?) , editado pelo Departmento de Zootecnia (Animal Sciences), da Universidade do Estado de Colorado, em Fort Collins, nos EUA.

Todos temos diante dos olhos as mudanças genéticas ocorridas nas últimas duas décadas, reveladas nos programas de avaliação genética da raça Nelore. Vários sumários contemplam seus leitores com gráficos que demonstram a evolução das características, como pesos nas várias idades, perímetro escrotal, facilidade de prenhez etc. Em todos os programas, fica evidente a ênfase dada às medidas de crescimento.

No entanto, convém um alerta: a seleção por meio das características de crescimento tende a aumentar os pesos em qualquer idade, incluindo o observado ao nascimento. Com isso, amplia-se o risco de problemas ao parto, aumenta-se o tamanho das vacas – com acréscimo nos custos de alimentação para sua manutenção – e se diminui o desempenho reprodutivo das matrizes. Com um agravante: o impacto dessas mudanças no lucro não fica claro imediatamente. Pior: não está havendo preocupação em quantificar o que tais mudanças significam em perdas.

Na maioria das vezes, quem paga os altos custos dessas mudanças genéticas não é quem avalia, produz ou comercializa reprodutores ou sêmen.

Temo que, apesar de toda euforia em torno das DEPs – é claro que reconheço seu valor -, elas estejam sendo elaboradas sem uma visão intrínseca da natureza, escopo e responsabilidade a longo prazo. Elaboram-se DEPs de forma previsível, de características fáceis de serem coletadas, como pesos à desmama e ao sobreano e perímetro escrotal. Adicionam-se outras, como facilidade de prenhez à idade precoce, etc. Mas que conseqüência terá a seleção dessas características na lucratividade de rebanhos produtores de carne?

Às vezes, tenho a impressão de que alguns dos programas de avaliação genética estão em busca das DEPs como um fim, em vez de usá-las como instrumento para se alcançar determinado objetivo. Nós precisamos criar ferramentas que nos levem a aumentar a lucratividade na produção de carne e não ficarmos limitados às já disponíveis, mas que se revelam não de todo adequadas.

Recentemente ouvi do diretor comercial de uma grande empresa de comercialização de sêmen que ele próprio acasalava milhares de fêmeas anualmente, e nunca usara os dados dos sumários para decidir que touros usar, embora sua equipe de vendas estivesse sendo exaustivamente treinada para vender em cima dos dados dos Sumários.

Apesar do paradoxo, esse diretor tem consciência de que seus clientes encontram mais satisfação nos fenótipos do que nas DEPs. Sua atitude é mais confortável na interpretação do desenvolvimento do fenótipo do que nos das DEPs.

Hoje, ao eleger-se um reprodutor porque sua DEP para peso ao desmame é altamente positiva, também se está promovendo um aumento correlacionado do tamanho da vaca adulta e, conseqüentemente, impondo acréscimos nos requerimentos de alimentação para mantença corporal. Estaremos, assim, aumentando as exigências totais de alimentação. Ora, se temos excedentes disponíveis de pastagem para dar suporte a essas vacas maiores, o gerenciamento econômico fatalmente nos levará a concluir que o melhor será aumentar o número de vacas de porte médio na mesma área de pasto. Diante disso, estaríamos na contramão da lista dos touros líderes para peso ao desmame.

Como outro exemplo, a stayability (permanência produtiva da fêmea no rebanho aos 8-10 anos de idade) estaria comprometida pelo mesmo motivo das altas taxas de exigências nutricionais correlacionadas ao maior tamanho das vacas.

A despeito da existência de um considerável conhecimento dos custos econômicos na produção – desde o nascimento do bezerro, recria, sistemas de acabamento a pasto para o frigorífico e/ou confinamento, exigências nutricionais para mantença corporal -, nenhuma dessas informações está disponível de pronto, num formato que possa assessorar o produtor na identificação de quais características lhes serão importantes no momento de eleger o reprodutor que cobrirá as matrizes.

Com a crescente lista das DEPs, não faz sentido sufocar o pecuarista ou comprador de touros com essas informações sem a devida pesquisa quanto às reais conseqüências de sua utilização no rebanho. Os instrumentos disponíveis ressentem-se da falta de um conhecimento científico maior. Deve existir uma via melhor para captar os conhecimentos de outros cientistas, tais como nutricionistas, administradores e economistas. E facilitar ao tomador de decisões, na fazenda, a escolha de que touro usar, em determinado sistema de produção, para otimizar suas receitas líquidas.

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José da Rocha Cavalcanti, engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa em 1974, selecionador do Nelore Irca em São Miguel do Araguaia, GO

Esse artigo foi originalmente publicado na revista DBO Rural e no portal BeefPoint em 06/03/2006.

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José da Rocha Cavalcanti:O desafio de produzir carne de qualidade, com eficiência e baixíssimo custo

Data da entrevista: [07/08/2002]

O engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, 48 anos, quarta geração de uma família que cria Nelore há 86 anos, administra a Fazenda Providência do Vale Verde, onde seleciona o Nelore IRCA com o foco centralizado em quatro características importantes para se alcançar eficiência no sistema de produção de carne a pasto.

Os resultados econômicos são maximizados a partir de duas estratégias: tendo como primeira a seleção e preservação de uma genética herdada de seus antepassados que tiveram o pioneirismo científico de priorizar características como fertilidade, habilidade materna e acabamento precoce de carcaça no ambiente a pasto e a segunda na adoção de um manejo onde procura-se otimizar o desempenho animal pela eliminação do stress.

O senhor poderia nos descrever a fazenda em que trabalha?

JRC: A Fazenda Providência do Vale Verde, localizada em São Miguel do Araguaia no estado de Goiás, situada na área de cerrado deste município, portanto tem os seus solos ácidos e de menor fertilidade aliado a um clima quente com boa distribuição de chuvas, o que constitui uma vocação natural para criação de gado de corte. Respeitada as suas áreas de preservação ela possui 800 hectares de pastagens sendo 70% de andropogon, 12,5% de braquiaria humidícula, 12,5 % de braquiaria brizanta, 5% de tanzânia.

Quais são as diretrizes do seu trabalho de seleção?

JRC: Selecionar uma genética que proporcione uma eficiente produção de carne num sistema de produção a pasto.

Produzir e comercializar reprodutores que transmitam a outros rebanhos o que de melhor existe em nossa seleção. Através de uma rigorosa avaliação quantificamos a superioridade dos melhores de cada safra, medindo seu desempenho nas fases de desmama sobreano e reprodução. A fim de garantir que esses animais selecionados venham a ser touros melhoradores, submetemos ao julgamento do técnico da ABCZ, de modo a assegurar as características nobres da raça.

Por que o foco em adaptação a pasto?

JRC: No decorrer desses últimos anos estamos convivendo com o valor da arroba oscilando entre 17-22 dólares e não parece que isso vá mudar num curto espaço de tempo, principalmente pela dificuldade da nossa economia em conviver com um salário mínimo em torno de cem dólares. Posta esta premissa não nos resta outra opção a não ser a criação a pasto para que tenhamos assegurada uma boa rentabilidade. Um sistema eficiente de produção a pasto implica em moldarmos um biotipo de animal que consiga metabolizar com eficiência a gramínea disponível e proporcionar uma produção ótima em vez de máxima. Isto é, aquela que proporciona um maior lucro.

Como é o manejo de pastagem adotado?

JRC: Em nosso manejo de pastagem optamos pelo sistema de “Pastejo fixo com carga variável” respeitando-se a “sociabilidade” de cada lote. Isto implica que, quando precisamos variar a carga de um pasto, trocamos lotes de carga diferente sem mexer na composição do lote. Os bovinos têm o hábito gregário de viver, e isso faz com que eles determinem através de disputas que animais farão parte de seu “círculo” de convivência, há uma limitação na memória deles para reconhecer o que ficou determinado no dia anterior, isso determina um n.º ideal de animais para compor o lote, se respeitarmos essa organização, diminuíremos o stress e aumentamos a produção.

Quando é feita a mudança dos pastos?

JRC: Através de um acompanhamento mensal por um escore pré-estabelecido de notas que representam a quantidade de folhas que compõe a pastagem, avaliamos a necessidade de troca ou não de determinado lote daquele pasto. Este sistema determina que a carga animal seja compatível com 70% da matéria seca produzida em cada pasto, o que proporciona uma incorporação de matéria orgânica anual referente aos 30% restante. Apesar do aparente “desperdício” a produção obtida em termos de peso vivo por hectare é mais lucrativa devido a não submetermos os animais a nenhum período crítico de restrição alimentar, por proporcionar um pastejo seletivo, favorecendo um maior desempenho individual.

Qual a estrutura de divisão de pasto?

JRC: Nossos pastos tem uma área média variando de 20 a 25 hectares, com bebedouro e cocho de sal independentes, com uma forma predominante de um quadrado. Servido por corredores que facilitam a vinda dos lotes ao curral.

Qual a importância da fertilidade e precocidade sexual?

JRC: A fertilidade é a característica de maior importância num rebanho de cria. Pesquisadores já demonstraram que é a característica que mais influencia na lucratividade de um sistema de cria-recria-engorda. Proporcionalmente é três vezes maior que o aumento do peso carcaça dos animais abatidos.

A precocidade sexual é a característica que maximiza a fertilidade. Se um criador adotar como critério único de seleção a fertilidade, em poucos anos ele terá um excelente rebanho e terá agregado outras características naturalmente.

Que resultados tem atingido na área de fertilidade e precocidade sexual?

JRC: Nosso resultado nos últimos três anos após dez anos que adotamos uma estação de monta única/ano com duração média de 83 dias é:

- nulíparas e vacas paridas – 93% de prenhez,
- primíparas – 75% de prenhez
- Índice geral de 88% de prenhez.

Precocidade – bezerras expostas a touros a pasto (sem suplementação) com mineralização na faixa de 80-120 gr /dia tiveram um índice de 16% de prenhez aos 15 meses. Neste índice estão computadas 98% das fêmeas que desmamaram na fazenda.

Quais as vantagens de se ter um sistema exclusivo a pasto?

JRC: No sistema de criação a pasto o importante é definir o momento de comercialização dos machos e a melhor época para parição das fêmeas. O sucesso vai depender de como vamos sincronizar o período de maior exigência alimentar do animal com o período de maior oferecimento de capim pela pastagem. Nas vacas sabemos que este período ocorre nos três meses que antecede ao parto e nos três meses após o parto, isto porque é necessário que ela tenha o menor tempo de serviço (intervalo entre o parto e a ovulação fértil) afim de viabilizar um parto a cada 12/14 meses.

Para os machos seria os seis meses que antecedem o abate, onde se faz necessário uma maior ingestão de matéria seca afim de promover o acabamento da carcaça. A decisão mais correta quando não se pretende comercializar os machos ao final da primeira seca, é fornecer uma boa pastagem com mineralização sem suplementação e usufruir do ganho compensatório que ocorrerá no próximo período de boas pastagens abatendo este animal em torno dos 24 meses com 250kg de peso carcaça. Com o preço da arroba oscilando entre 17 e 22 dólares não se pode agregar custos fixos na produção desta arroba. O zebu desde que bem empastado em sua primeira seca evidência uma de suas características peculiares – o ganho compensatório na fase pós seca.

Como é o desenvolvimento ponderal dos machos quando só criados a pasto?

JRC: Nossos machos aos 28 meses tem apresentado um peso médio nestes últimos 4 anos de 508/514 kg de peso vivo com bom acabamento de sua carcaça o que permite uma liquidez para o abate a partir dos 22 meses de idade. Nesta média incluímos todos os animais da safra da fazenda onde o menor peso foi 450 kg, e o maior 620 Kg.

Quais os maiores problemas encontrados hoje em uma fazenda que cria reprodutores?

JRC: Ser produtor de reprodutor requer uma sensibilidade embasada na técnica e na vivência do dia a dia do melhoramento. A decisão de que touro acasalar muitas vezes vai depender mais do bom senso do que mesmo da informação técnica disponível. Por exemplo a DEP peso não prediz a quantidade de carne por unidade de carcaça. Mais importante que o peso é o acabamento de carcaça. Pode se ter dois animais de 500 kg e um estar gordo e o outro magro. Peso sem acabamento significa maior tempo de engorda, maiores risco e custo consequentemente menor rentabilidade. Ao contrário quando se tem acabamento precoce tem-se um giro mais rápido, maior número de bois por área de pasto, o que resulta numa maior produção de arroba por ciclo de engorda. A cultura do pecuarista, até então era de “quanto maior o animal, melhor”, pesquisadores tem demonstrado que no pasto a vaca de 450kg é mais produtiva que a de 600kg. O produtor de reprodutores deve priorizar resultados e não dar lugar a animais privilegiados. Selecionar é descartar, quem não descarta coleciona.

Qual a importância da qualificação da mão de obra na propriedade hoje?

JRC: É primordial para se formar um equipe capaz de executar com interesse as etapas, para se atingir as metas. À medida que incorporamos informações e elas são assimiladas, os obstáculos são vencidos facilmente.

Qual a influência das recentes alterações no cenário pecuário mundial (BSE, aftosa, rastreabilidade, carnes certificadas) para um produtor de gado de corte?

JRC: A maior influência foi despertar o produtor de gado de corte paras suas responsabilidades em relação à sanidade de seus rebanhos.

Como o senhor visualiza a produção de carne bovina no Brasil num futuro próximo? E quais os desafios que a cadeia de carne irá enfrentar daqui para frente?

JRC: A produção de carne no Brasil precisa estar atenta em :

* Absorver uma mão de obra mais qualificada e por isso mais bem remunerada.

* Preocupação ambiental e preservação do solo.

* Preservação da qualidade da água.

* Aumentar a produção sem comprometer a saúde do consumidor (risco zero).

* A Fazenda de gado de corte deve significar qualidade de vida aos animais que lá produzem e aos homens que nela trabalham.

Desafios da cadeia de carne:

* maior diálogo entre os seguimentos desta cadeia afim de compreenderem que os vários elos que a compõe são parceiros e não concorrentes.

* Maior preparo técnico/político dos nossos negociadores no fórum internacional. A União Européia muito em breve estará ávida em recuperar seus mercados e para isso não nos poupará com ataques de que somos predadores da natureza, exploradores de mão de obra e inescrupulosos no uso da água do planeta.

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Originalmente essa entrevista foi realizada pela Equipe BeefPoint, para o site da Merial.

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Homozigose, Prepotência Genética, Produtividade

Pelos anos de 1942, os irmãos Rocha Cavalcanti (Fernando e Carlos), representando a terceira geração de uma família que criava Nelore desde 1916, priorizaram na seleção do Nelore IRCA os acasalamentos na mesma linha de sangue (“line-breeding”) com animais herdados de seu pai o Dr. José da Rocha Cavalcanti (Dr.Juquinha), vindos de seu avô o cel. Carlos Benigno Pereira de Lyra e nelore adquiridos entre outras origens como do pioneiro Pedro Marques Nunes e da tradicional criação do Dr. Otávio Machado no Estado da Bahia (“OM”).

Hoje em São Miguel do Araguaia – Goiás, José da Rocha Cavalcanti – sucessor do rebanho IRCA – prossegue num programa de criação que tem por objetivo o melhoramento das características econômicas da raça, procurando oferecer animais aptos para reprodução, na medida do possível, de homozigoticidade conhecida, isto é, animais que estejam de acordo com o padrão, possuam características semelhantes herdadas tanto da mãe quanto do pai e sejam parentes sangüíneos relativamente próximos.

Uma fórmula de criação bastante simplificada, de modo de que os resultados, sejam assegurados. A simplificação da fórmula de criação é alcançada através de cruzamento dentro da mesma linha de sangue, seja através do “inbreeding” (parentesco muito próximo) ou do “line-breeding” (relação de parentesco menos estreita).

Segundo trabalhos de alguns pesquisadores como Humphrey, Warner, entre outros, têm-se as seguintes recomendações, para se obter uma linhagem definida dentro da raça com o tipo e características semelhantes:

  1. Decidir quais as poucas características essenciais e defeitos intoleráveis. Entre as essenciais, devem ser incluídas: Fertilidade, Rusticidade, Precocidade, Temperamento.
  2. Desenvolver um sistemático planejamento dentro do qual as qualidades e os defeitos sejam tratados em face do objetivo de cada criação, com especial ênfase para os pontos individuais que necessitam ser aperfeiçoados.
  3. Deve ser prolongado persistentemente o “line-breeding” dos animais destaques, que pelo teste de progênie, demonstram ser melhoradores para as características de importância econômicas presentes na linhagem. O “ïnbreeding” se faz quando o animal utilizado possui qualidades marcantes. Quando necessário, poderá ser feito um “out crossbreeding” (acasalamento de não parentes) para tentar obter características que não estejam presentes nos genótipos das famílias iniciais.

O criador que se dispõe a seguir essas orientações não estará isento dos muitos desafios que terá pela frente. Freqüentemente ocorre que o reprodutor de melhor aparência e que se destaca em exposições não é o melhor padreador. O mesmo se aplica às fêmeas; para se chegar à matriz superior ele terá tantos acertos quantos erros, devendo selecionar a que lhe pareça mais fértil, feminina e mais perfeita quanto ao tipo padrão, não se esquecendo que encontrará animais com falhas de maior ou menor importância. As falhas menores serão eliminadas com acasalamentos posteriores.

Varedo 1433 IRCA, filho de sua avó (Ipojuca 157 IRCA que aos 17,5 anos de idade desmamou sua 14a. cria, SUPERIOR no CDP-ABCZ), irmão de seu próprio pai, ótima conformação frigorífica e com filhos bem avaliados nas características de carcaça.

Varedo 1433 IRCA, filho de sua avó (Ipojuca 157 IRCA que aos 17,5 anos de idade desmamou sua 14a. cria, SUPERIOR no CDP-ABCZ), irmão de seu próprio pai, ótima conformação frigorífica e com filhos bem avaliados nas características de carcaça.

O porque desta seleção?

O objetivo real de toda seleção é elevar a média de produtividade de uma raça, procurando obter uma população homogênea (menor desvio padrão) próxima do biótipo ideal, de alto desempenho na condição de pasto.

Deverão estar presentes as características essenciais como: Fertilidade, Rusticidade, Longevidade Produtiva, Temperamento, pois sem estas a criação estará fadada ao desastre. Falta de Fertilidade e Rusticidade acarreta descontinuidade e aumento do custo, o que inviabiliza a criação. A longevidade produtiva é importante na medida em que um animal de grande valor na reprodução precisa ser útil por muito tempo, após sua importância haver sido reconhecida através da sua progênie. Finalmente o Temperamento é de grande importância para a produção de carne com qualidade, pois representa a facilidade do manejo.

O que todo criador deseja ao adquirir um tourinho para seu rebanho é que ele possua PREPOTENCIA, que como descreve J.L.Lush, é a capacidade de imprimir as suas características nos seus filhos, de tal forma que estes com ele se pareçam, ou se assemelhem entre si, mais intimamente do que é comum.

Não é tarefa fácil desenvolver “prepotência” em uma seleção, isto porque muitas características desejadas são o resultado da combinação de mais do que um par de genes para esta herança, o que torna o resultado menos preciso. Em segundo lugar, selecionamos animais com várias características o que torna o trabalho extremamente difícil, porque nesse caso teríamos centenas de combinações genéticas possíveis, mesmo se cada característica fosse determinada por um único par de genes, o que é improvável.

Por isso acreditamos que o mais rápido método de se obter “prepotência” para as características a respeito das quais estamos interessados, é praticando “line-breeding” e uma seleção cuidadosa.

Se você tem três gerações de boa cobertura de carne na retaguarda de um touro, e seus parentes também o são de boa cobertura, as chances são grandes de que ele venha a ser prepotente para essa característica. Se ele e todos os parentes têm todas as características que você deseja, as chances são boas de que o tourinho de fato será prepotente para todas elas.

O Nelore IRCA proporciona oportunidade de acasalamentos dirigidos com animais de outras linhagens, visando a introdução de novos alelos no rebanho, sem perda de qualidade fenotípica.

Teríamos um aumento de diversidade genética com a introdução de alelos mais raros na nova população.

Esta é a razão pela qual o Nelore Irca permanece com um programa de seleção, priorizando os acasalamentos com animais que se destacam nas avaliações, visando alcançar índices zootécnicos superiores (fertilidade e acabamento de carcaça com ciclo curto) mantendo-se o foco no pioneirismo e tradição de priorizar alta produtividade com baixo custo.

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Por Engº Agrº José da Rocha Cavalcanti.

Esse artigo foi publicado em 1986, inspirado pelo artigo de “Consangüinidades. A Criação de Cães da Mesma Linha de Sangue”, de José Walter Santos Ferro, Criador e Juiz de Criação e Seleção da SBCPA.

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Seleção a pasto e linhagens abertas são diferenciais do IRCA para selecionadores de Nelore PO e produtores comerciais

A escolha de animais para seleção leva em conta fatores externos, como o ambiente, e internos, a exemplo da consangüinidade. Em ambos os aspectos, de acordo com Maurício José de Lima, gerente de desenvolvimento de produtos da Lagoa da Serra, o Nelore IRCA, produzido na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, do engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, apresenta diferenciais importantes tanto para selecionadores de Nelore PO quanto para os voltados a rebanhos comerciais.

“A seleção IRCA, além de ser selecionada a pasto, apresenta outra grande contribuição: trata-se de famílias selecionadas há mais de 80 anos de linhagens abertas, pouco utilizadas no nelore brasileiro, representando, portanto, uma alternativa para evitar a consangüinidade, que tem apresentado níveis preocupantes no nelore brasileiro”, justifica Lima, primeira pessoa a contratar um touro IRCA para coleta em central de inseminação artificial.

Outra vantagem, em sua opinião, é a seleção nacional: “Para quê buscar animais na Índia, correndo riscos sanitários, se existem linhagens selecionadas aqui mesmo no Brasil, como é o caso do Nelore IRCA?”, reforça.

Para produtores de bezerros comerciais, a contribuição do IRCA, na avaliação de Lima, responde a uma recomendação encontrada há muito tempo nos manuais de melhoramento: a avaliação dos reprodutores no mesmo ambiente em que seus filhos serão criados. “Sabemos que mais de 80% de toda a carne brasileira são produzidos a pasto. Não há, então, porque selecionar animais “arraçoados” se seus produtos serão terminados em pastagens. Esse é um dos grandes diferenciais do Nelore IRCA”, acrescenta.

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Nelore IRCA seleciona qualidade da carne produzida a pasto

Em breve, dados coletados por meio da ultrassonografia no rebanho do Nelore IRCA, produzido na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, do engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, possibilitarão aos criadores conhecer melhor esses animais em termos de eficiência de carcaça.

De acordo com o responsável pela coleta dos dados, Fabiano Araújo, diretor da AVAL, o procedimento permite boa acurácia. Ele explica que a ultrassonografia capta imagens da área de olho de lombo, avaliando musculosidade (rendimento de carcaça quente e de desossa) e acabamento, e da garupa do animal, que avalia a EGP8 (Espessura de Gordura Ponto 8), possibilitando avaliar gordura e acabamento. Em termos de melhoramento, ele atesta que a utilização da ultrassonografia é recente, mas, para pesquisas, está disponível no Brasil desde 1992/94.

Sobre a adoção da ultrassonografia por Cavalcanti, Araújo afirma que, além do pioneirismo, o criador já vislumbra a demanda que pode existir daqui a dez ou 15 anos. Ele destaca que, apesar de não haver trabalho comparativo do IRCA com outros rebanhos, devido a sua variabilidade, Cavalcanti conseguirá animais de qualidade dentro da linhagem. Para selecionadores de Nelore PO, ele acredita que o IRCA pode contribuir em termos de habilidade materna. Já para produtores de bezerros comerciais, em termos de rusticidade e precocidade.

Entusiasta

“É um rebanho muito diferenciado, com poucas amarrações com rebanho de fora, pois foram utilizados animais próprios da fazenda, com grau razoável de consangüinidade”. Este é a definição que Luiz Alberto Fries, professor da Unesp Jaboticabal e responsável pela avaliação genética do Nelore IRCA, atribui à linhagem.

Fries valoriza a genética do IRCA – “Quando saem do rebanho, esses animais produzem melhor ainda do que dentro do rebanho” – e enxerga na seleção características particulares de manejo, do ponto de vista de produção, além de idéias inovadoras de comportamento animal.

“São extraordinários, um trabalho muito bom para animais precoces, com boa musculatura. Tenho confiança no que vi: serão animais muito interessantes”, completa, comentando que essa atitude inovadora facilita na busca de soluções para situações em que é difícil diferenciar o que é ambiental e o que é genético na seleção.

O professor acaba de receber informações genéticas que, após análise, “contribuirão para a continuidade desse criterioso trabalho de seleção do IRCA”.

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